A forte reação dos pastores fez o governo Lula acenar com um recuo, ainda em estudo, da medida que suspendeu a isenção de impostos sobre valores recebidos pelas lideranças religiosas. Alguém cochichou no ouvido do presidente que o projeto de se aproximar dos evangélicos estava naufragando, que os caras só pensam em dinheiro e que o maior beneficiário com a decisão da Receita Federal, de tungar os “homens de Deus” pelo bolso é o seu arqui-inimigo, Jair Bolsonaro.
Lula não quis entrar numa confusão já criada - o Tribunal de Contas da União desmentiu a Receita Federal ao afirmar, em nota, que não determinou a suspensão da isenção tributária a líderes religiosos - e mandou o ministro Fernando Haddad jogar água nessa fogueira. Agora há fumaça, mas não fogo.
No momento, o governo procura o modo menos indecente de revogar a medida sem parecer que foi colocado no canto do ringue pelos pastores.
E mais: Lula sabe que eles são donos de milhões de votos, que o rebanho que comandam sempre faz o que eles querem. São os coronéis desse novo tempo, comandando currais eleitorais em nome de Deus.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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