Lula tem o dever de governar para todos, sem olhar para trás e sem fazer das tragédias que herdou um palco para promoção pessoal e política
A ação contra garimpeiros em área ianomâmi peca pela espetacularidade e pela exibição. Seria uma desocupação, o que é necessária, mas o governo montou uma operação de guerra onde incendeia aviões, helicópteros e tratores que poderiam ser apreendidos e leiloados para ao menos ressarcir em parte os prejuízos causados aos indígenas. Quer dizer, destrói um patrimônio de inestimável valor e que sem dúvida levaria aos agenciadores e financiadores dos garimpeiros - gente que de fato lucra com a atividade ilegal da extração do ouro por uma massa de trabalhadores muito pobres, que carrega um sonho de riqueza que nunca se concretiza.
Aviões queimados, helicópteros sendo destruídos, tratores incendiados é mais um atestado de incompetência de um governo que trata um assunto humanitário - os indígenas estão morrendo de fome , sofrendo de doenças - como espetáculo, revelando sua agenda oculta: demonizar o governo anterior, que teve falhas - é verdade - e foi criminosamente omisso. Entretanto, a questão agora não é usar a fome dos índios nem o drama dos garimpeiros como espetáculo mambembe..
Não é por aí. Ademais, é necessário levar a sério denúncias de que índios imigraram da Venezuela para a área ianomâmi em Roraima e Amazonas. A Venezuela é um País onde a situação de abandono e maus-tratos dos indígenas não é melhor do que no Brasil.
É preciso restituir aos índios as áreas ocupadas e dar a eles o tratamento humanitário que merecem. Mas o governo tem que deixar de destruir aviões, helicópteros e tratores. Mais que isso: deixar de visar a plateia que aplaude por inconsequência.
Lula tem que fazer o básico: governar para todos, sem olhar para trás e sem fazer das tragédias que ficaram um palco para promoção pessoal e política.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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