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Greve de ônibus é chantagem de empresários contra o governo

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Por Coluna do Holanda
12/09/2025 às 01h05 — em Coluna do Holanda
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A paralisação da frota de ônibus em Manaus nesta quinta-feira teve claros sinais de locaute. Foi  incentivada pelo sindicato patronal sob o argumento de que o Estado não estaria repassando recursos que subsidiam a gratuidade do passe estudantil.

É preciso punir os culpados, romper uma concessão graciosa, que penaliza duplamente os usuários e afronta direitos fundamentais, como o de ir e vir.

Os trabalhadores, que alegam atraso de salários, servem como massa de manobra por empresários sem escrúpulos e sem compromisso com a cidade. 

É evidente que a paralisação foi incentivada pelo Sinetram. Ou não teria partido do sindicato patronal a ordem de recolhimento de todos os ônibus às garagens. 

Se trabalhadores estavam em greve por atraso de salários, por que direcionaram o protesto para o governo e prefeitura?

Mesmo considerando eventual atraso em repasse do subsídio, cabe às empresas a responsabilidade pelos salários de seus funcionários.

As cenas de humilhações em pontos de ônibus não podem se repetir: passageiros sendo obrigados a descer dos coletivos  em meio ao  calor de 35 graus. Velhos agoniados, crianças chorando. Seja qual for o motivo alegado para a paralisação, não autoriza ninguém punir usuários e submetê-los a vexames.

As empresas alegam atraso no repasse do subsídio que tornou gratuito o passe estudantil. É uma boa grana. Algo que, somado, resulta em  cerca de R$ 1 bilhão/ano.

A gratuidade do transporte para estudantes é uma medida política, com custos altíssimos para a sociedade. De um lado, reforça o poder dos caciques e fideliza currais eleitorais, enriquece empresas que não investem em melhoria da frota e resulta, de quando em vez, em verdadeira  chantagem do setor privado à prefeitura e ao governo do estado. 
 
E é uma conta paga por todos os contribuintes. Essa benesse, como não funciona, também precisa ser reavaliada.

É hora de um nova licitação para o transporte coletivo, com empresas fortes, que não aceitem ingerência do poder político e cuja finalidade seja servir não aos caciques de ocasião, mas aos manauaras.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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