Em Manaus, a precariedade do serviço de água e esgoto já não provoca indignação pública — convive com um silêncio organizado. Vazamentos prolongados, obras mal sinalizadas, crateras abertas nas vias e ruas abandonadas após intervenções passaram a integrar a paisagem urbana sem reação proporcional ao dano causado.
O Portal do Holand a, diretamente conectado aos problemas enfrentados pela população, tem dado destaque a denúncias que evidenciam que o serviço prestado pela Águas de Manaus é, há muito tempo, classificado pelos manauaras como imprestável.
Fora essa exceção, predomina o silêncio: a maior parte da imprensa local evita o tema, enquanto a concessionária ocupa espaço na televisão com publicidade comercial — não republicana — pedindo compreensão da população, mas sem mencionar responsabilidade, fiscalização ou direitos.
Não há informações visíveis sobre o acompanhamento das obras por órgãos ambientais, fiscalização das empresas subcontratadas que executam serviços, garantia de livre circulação nas vias ou sinalização adequada. A população absorve os impactos cotidianos, enquanto os órgãos de controle permanecem inertes.
O desfecho é previsível: destruição urbana normalizada, serviços mal executados e novas cobranças impostas ao cidadão. Quando governos, órgãos de controle, fiscalização, imprensa e políticos que se autoproclamam defensores do povo se calam, o silêncio deixa de ser omissão e passa a configurar conivência — distante dos interesses republicanos.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Aviso