A mídia tradicional, especialmente o Grupo Globo, assumiu uma postura de claro apoio ao candidato Lula. A preferência pelo petista é clara. Há uma notável parcialidade do veículo na abordagem de temas relativos às duas campanhas. A questão colocada por alguns leitores, atentos ao comportamento do jornalismo praticado pela Globo (especialmente de seus colunistas e comentaristas), é por que a emissora dos Marinho não recebeu a mesma penalidade conferida à Jovem Pan, colocada sob censura?
A Globo tem um lado e tenta ser comedida. A jovem Pan é extravagante, radical na defesa de Bolsonaro. É acusada de disseminar notícias falsas.
O TSE errou ao endurecer normas que começavam a derreter em uma campanha agressiva e sem controle. O problema é que a medida expressa em sua última Resolução não deixa de ser arbitrária e de certa forma deslegitima a própria Corte. A Resolução adotada parece mais um drible na própria Constituição e uma investida contra o direito fundamental à liberdade de expressão.
Mas para a Globo - que apoiou o golpe militar de 1964 - o que está em jogo não é a democracia, que veste como disfarce para seus interesses mais comezinhos.
A Globo sabe que se posicionou em um campo minado, que pode explodir a qualquer momento. Afinal, o sistema de justiça, que monitora as eleições, também está sob ataque e precisa de uma retaguarda para não permitir que as regras do jogo eleitoral sejam rasgadas.
A Globo quer apenas sobreviver sem os sobressaltos de um eventual segundo mandato de Bolsonaro, que ameaça não renovar a concessão da emissora, já vencida em São Paulo, Rio e Belo Horizonte.
Não depende exclusivamente do presidente a renovação. É uma medida que deve passar, necessariamente, pelo Congresso Nacional. O problema é que o novo Congresso, saído das urnas este ano, é majoritariamente de direita ou de centro, suscetível aos desejos do atual presidente.
O perigo está no ar.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Aviso