Bem antes de 4 de abril, data fixada para a desincompatibilização eleitoral, o governador Wilson Lima decidiu não esperar o calendário vencê-lo. Ao anunciar que permanecerá no cargo até o fim do mandato, retirou a decisão da esfera da pressão e a colocou no campo da escolha. É um gesto que pode ser lido como demonstração de maturidade.
Mas maturidade, em política, raramente nasce pronta. Ela costuma ser exigida — e forjada — nas crises.
A trajetória de Wilson no Executivo foi marcada por esse teste permanente. Comunicador de origem, sem formação administrativa tradicional, rompeu estruturas consolidadas da política amazonense e venceu nas urnas. Logo no início do primeiro mandato, enfrentou a mais grave crise sanitária do século. A pandemia da Covid-19 colocou o Amazonas no centro de um drama nacional.
O colapso hospitalar e a crise do oxigênio produziram críticas severas e desgaste institucional. Nada disso deve ser apagado da memória pública. Mas também é inegável que se tratava de uma emergência inédita, sem vacina disponível, sem protocolos consolidados e com um estado historicamente isolado do ponto de vista logístico. A pandemia não oferecia respostas prontas. As soluções vieram apenas depois, com coordenação nacional e vacinação em massa.
Se naquele momento pesaram acusações políticas e jurídicas, também é fato que, no ano eleitoral que o reconduziu ao segundo mandato, o governador foi absolvido das imputações que poderiam inviabilizar sua candidatura. A recondução nas urnas funcionou como validação popular de continuidade.
Em um ano que é, por natureza, de rearranjos políticos e expectativa eleitoral, estabilidade não é detalhe. As características que marcaram sua trajetória — capacidade de comunicação, resistência sob pressão e experiência adquirida em momentos críticos — associadas à decisão de permanecer, indicam que o Amazonas atravessa esse período de transição sob liderança já submetida a provas reais.
Em política, o tempo é o juiz mais severo. Ele registra erros, mede respostas e distingue improviso de aprendizado. Permanecer até o fim do mandato é, acima de tudo, aceitar esse julgamento — com a serenidade de quem entende que confiança não se exige: consolida-se.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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