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Wilson Lima desloca o foco do debate eleitoral para a execução administrativa

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Por Coluna do Holanda
02/03/2026 às 23h02 — em Coluna do Holanda
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  • Ao optar por permanecer no cargo até o fim do mandato, Wilson sinaliza, pelas amostras de sua gestão, pelos gestos acumulados ao longo dos anos e pela decisão atual, que pretende preservar a confiança que lhe foi conferida nas urnas.
  • Ao afirmar que sua prioridade é a agenda de entregas do Estado, desloca o foco do debate eleitoral para a execução administrativa, indicando que o tempo restante de governo não será tratado como período de transição, mas como fase de consolidação de políticas e obras em curso.
  • Permanecer é também conduzir o Estado até a transição exigida pela democracia representativa, sem atalhos ou movimentos abruptos.
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Bem antes de 4 de abril, data fixada para a desincompatibilização eleitoral, o governador Wilson Lima decidiu não esperar o calendário vencê-lo. Ao anunciar que permanecerá no cargo até o fim do mandato, retirou a decisão da esfera da pressão e a colocou no campo da escolha. É um gesto que pode ser lido como demonstração de maturidade.

Mas maturidade, em política, raramente nasce pronta. Ela costuma ser exigida — e forjada — nas crises.

A trajetória de Wilson no Executivo foi marcada por esse teste permanente. Comunicador de origem, sem formação administrativa tradicional, rompeu estruturas consolidadas da política amazonense e venceu nas urnas. Logo no início do primeiro mandato, enfrentou a mais grave crise sanitária do século. A pandemia da Covid-19 colocou o Amazonas no centro de um drama nacional.

O colapso hospitalar e a crise do oxigênio produziram críticas severas e desgaste institucional. Nada disso deve ser apagado da memória pública. Mas também é inegável que se tratava de uma emergência inédita, sem vacina disponível, sem protocolos consolidados e com um estado historicamente isolado do ponto de vista logístico. A pandemia não oferecia respostas prontas. As soluções vieram apenas depois, com coordenação nacional e vacinação em massa.

Se naquele momento pesaram acusações políticas e jurídicas, também é fato que, no ano eleitoral que o reconduziu ao segundo mandato, o governador foi absolvido das imputações que poderiam inviabilizar sua candidatura. A recondução nas urnas funcionou como validação popular de continuidade.

Em um ano que é, por natureza, de rearranjos políticos e expectativa eleitoral, estabilidade não é detalhe. As características que marcaram sua trajetória — capacidade de comunicação, resistência sob pressão e experiência adquirida em momentos críticos — associadas à decisão de permanecer, indicam que o Amazonas atravessa esse período de transição sob liderança já submetida a provas reais.

Em política, o tempo é o juiz mais severo. Ele registra erros, mede respostas e distingue improviso de aprendizado. Permanecer até o fim do mandato é, acima de tudo, aceitar esse julgamento — com a serenidade de quem entende que confiança não se exige: consolida-se.


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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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