BRASÍLIA - Temendo o previsível desgaste de se apresentarem contra a renovação das práticas da legenda, a ala governista do PSDB quer apelar para que o presidente interino, Tasso Jereissati, tome a iniciativa de entregar o cargo. O grupo sabe que bastaria Aécio reassumir para poder indicar um novo presidente, mas a alternativa seria alvo de fortes críticas. Tasso, por sua vez, sinaliza que caso haja um pedido formal de que se afaste, irá delegar a decisão para Aécio, que foi quem o indicou para a interinidade. Caberia a Aécio então o desgaste da decisão de afastá-lo ou não.
— Eu estou tranquilo, não pedi para entrar — tem dito Tasso aos interlocutores com quem conversou hoje, indicando que não pretende tomar a iniciativa de entregar o cargo para que Aécio indique outro interino, como quer a ala tucana governista.
— Se Aécio reassumir e afastar Tasso, eu não digo que seja um gesto tão corajoso, mais parece suicídio — diz o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), um dos mais ligados a Tasso Jereissatti.
A ala governista do PSDB diz que Tasso estaria tentando “sair como herói” do impasse criado pelo programa eleitoral apresentado na última quinta-feira, que faz um mea-culpa e critica o presidencialismo de cooptação.
Os tucanos contrários a orientação de Tasso listaram sete decisões tomadas por ele, em três meses de interinidade, que estariam contrariando decisões coletivas. Hoje à noite, deputados ligados ao governo e a Aécio se reúnem com alguns governadores para discutir uma saída para a substituição imediata de Tasso. Os governadores Marconi Perillo (Goiás) e Reinaldo Azambuja (Mato Grosso do Sul) devem participar, além de Aécio.
O deputado Marcus Pestana (PSDB-MG) vai na mesma linha e apela para que Tasso “faça um gesto” e tome a iniciativa de entregar o cargo a outro vice-líder para levar o partido até a convenção de 09 de dezembro. Na convenção Pestana diz que o melhor candidato a suceder Aécio é o governador Marconi Perillo, de Goiás, porque ele dialoga com todas as correntes e tem experiência.
— O doutor Tasso está jogando lenha na fogueira. Seria melhor que ele fizesse esse gesto para contribuir com a unidade partidária . Que converse com outras lideranças importantes e construa essa alternativa. Nesses três meses em que ele está na interinidade o PSDB nunca enfrentou crise tão grande em 29 anos de existência. O ideal é que eles construam essa saída — pediu Pestana.
Um dos ministros tucanos lista sete decisões de Tasso, que segundo ele, contrariaram a maioria do partido: reunião Executiva ampliada, visita ao presidente da Câmara Rodrigo Maia com ataque a Temer e manutenção do ministro da Fazenda Henrique Meirelles, reunião com jantar no Palácio Bandeirantes , cancelamento de convocação de nova reunião da executiva , declaração “absolutamente desnecessária” e contrária a maioria da bancada na votação da denúncia contra Temer, em que afirmou que votaria a favor, o programa de TV e definição da data das convenções sem consulta aos vices, como prevista na Executiva .
O líder do PSDB na Câmara, deputado Ricardo Tripoli (SP) defende a manutenção de Tasso:
— A postura do Tasso está cada vez mais consolidada com o que diz o próprio PSDB, com o que o PSDB quer, espera e com o que o eleitor do PSDB espera. O Tasso está conectado com a sociedade e a maioria da bancada federal concorda com o trabalho que ele vem fazendo — declarou Trípoli

