SÃO PAULO — Uma nova ação policial na Cracolândia, no centro de São Paulo, provocou mais uma mudança de endereço dos usuários de drogas durante a noite de segunda-feira. Antes instalados na Alameda Cleveland em frente à estação Julio Prstes de trem, os dependentes químicos passaram a ocupar novo espaço a apenas um quarteirão de distância após uma ação de limpeza comandada pela Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Os usuários teriam se revoltado com a remoção de barracas do local pelos guardas-civis e ateado fogo em colchões e objetos. A ação era parte de um serviço de limpeza, confirmado pela Prefeitura em nota: "De acordo com informações preliminares, a GCM apoiava uma ação de zeladoria de rotina e, no momento em que foi solicitada a retirada de barracas das calçadas, algumas pessoas que estavam no local colocaram fogo nos materiais”. Apesar do confronto, a administração garante que as ações sociais “de acolhimento, saúde e segurança” serão mantidas.
A confusão provocou mais uma mudança de endereço do dito fluxo: os dependentes seguiram adiante na rua Helvétia, se instalando entre a Barão de Piracicaba e a alameda Dino Bueno. De acordo com o mecânico Denis Oliveira, 30 anos, que trabalha em uma locadora de carros na Dino Bueno, os usuários quebraram um veículo da empresa após a ação da GCM.
— Ontem eles subiram em cima do parabrisa do carro e acabaram quebrando o vidro. Acontece sempre que eles estão revoltados — disse ao GLOBO.
Ao passar pelo local nesta manhã, Oliveira relatou que a aglomeração está cercada por policiais, mas sem apresentar novos problemas ao comércio local.
— Eles avançaram só um quarteirão aqui na rua. Estão bem na esquina da Helvétia com a Dino Bueno. Tem um monte de policial por lá, é o que mais tem. Não estão deixando ninguém circular na região, mas está tudo bem quieto por ali.
Desde a , em maio deste ano, os usuários realizaram três migrações no centro de São Paulo. Primeiro, deixaram o ponto da rua Helvétia e se deslocaram até a praça Princesa Isabel. Depois, , no cruzamento com a alameda Cleveland, a apenas 400m de distância do endereço original — mudança que teria ocorrido por orientação de integrantes de facção criminosa, que se sentiam expostos na praça.
A situação na região tem sido alvo de polêmicas na gestão João Doria (PSDB), resultando em duas baixas na Secretaria de Direitos Humanos do município logo após a ação de maio: Patrícia Bezerra (PSDB) e Thiago Amparo, secretária e ex-secretário-adjunto, respectivamente, pediram exoneração por discordarem das atitudes tomadas pela prefeitura. Doria chegou a declarar, em mais de uma ocasião, o “fim da cracolândia”, referindo-se ao espaço físico ocupado no centro. Ele anunciou o início do Redenção, programa municipal de combate ao uso de drogas e recuperação dos usuários, e o fim do Braços Abertos, implantado pelo antecessor Fernando Haddad (PT).

