CURITIBA e SÃO PAULO. O ex-presidente do Banco do Brasil (2009-2015) e da Petrobras (2009-2015) Aldemir Bendine tinha voo marcado para amanhã (sexta-feira) para Portugal. Um operador ligado a ele, André Gustavo, foi preso nesta quinta-feira no portão do aeroporto de Recife. Ele também estava indo para Portugal. A polícia entendeu que havia risco de fuga, disse a Força-Tarefa da Lava-Jato durante coletiva realizada na manhã . Bendine, André e o irmão dele, Antonio Carlos, foram presos na operação de hoje.
A Força-Tarefa lembrou que Bendine tem nacionalidade italiana. E André Gustavo tem “negócios consolidados em Portugal”. Havia indício que as passagens de ida tinham sido compradas. As investigações descobriram que Bendini viajaria para fora do país com a quebra de sigilo de mensagens trocadas por meio de aplicativo. As mensagens foram programadas para serem apagadas dos telefones após um determinado tempo, mas os investigadores conseguiram recuperar o conteúdo por meio da tecnologia de armazenamento em nuvem.
Segundo o procurador Athayde Ribeiro Costa, o ex-presidente do BB e da Petrobras usou o nome da ex-presidente Dilma Rousseff para pedir propina a Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, diretor da empresa. Os delatores relataram que o grupo operou R$ 3 milhões em propinas recebidas da empresa. O nome de Dilma, apesar de citado, não é alvo de nenhuma investigação. Segundo o MPF, não há nada contra a ex-presidente.
— É muito importante pontuar que a delação foi apenas ponto inicial. Toda colaboração da Odebrecht foi corroborada por provas. Às vezes criticam as delações, mas todas delações são corroboradas por provas — frisou Athayde.
O destino dos R$ 3 milhões não está claro, afirmaram os investigadores.
O valor foi pago em junho de 2015, após o grupo pedir R$ 17 milhões e a empresa ter se recusado a pagar. As transações foram descobertas após as delações da empresa e também pela Receita Federal, que detectou tentativas de os operadores ocultarem o dinheiro já este ano, colhendo impostos de trabalhos de consultoria.
— É um caso muito interessante e relevante porque o alvo principal operou num período em que a Lava-Jato já estava em pleno funcionamento (...) E pior ainda: ele só deixou de receber recursos indevidos após a prisão de Marcelo Odebrecht — disse o delegado Igor Romário de Paula.

