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Carlos Melo, do Insper: Moreno foi muito mais que o ‘furo’

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SÃO PAULO. Jornalistas vivem das fontes que cultivam; cientistas e analistas políticos, de dados e reflexões. As notícias, que os jornalistas publicam, são parte disto: às vezes fundamental. Nenhum analista de política consegue viver longe do velho jornal. Vivemos da capacidade de compreender o mosaico de informações que se publica. Mesmo para pesquisar o passado, buscar pontes com o presente e a natureza estrutural do país, recorre-se aos jornais. Lá está o cotidiano, o dia-a-dia a História; o dado disperso, a fragmentação que pede sentido.

Ao longo do tempo, percebe-se que é fundamental encontrar chaves do deslinde dos fatos e da História. Alguns jornalistas são fundamentais, aqueles “que não dá pra não ler”: marcos para compreensão do processos. O “furo” que deram e a inflexão que fizeram causar num dado fenômeno são primordiais, emblemáticos para o entendimento que que se busca. Mas, também não só o “furo”: existem as entrelinhas, os bastidores, os interesses cruzados, os conflitos; tudo é matéria-prima, fonte da história.

Num patamar mais elevado, alguns jornalistas excedem todos os parâmetros: são também prazerosos, gente que se lê não apenas porque é necessário, mas porque se gosta. Mais que informação e reflexão, trazem sagacidade, inteligência, alegria. Coisa de fazer rir e pensar. Ao longo dos anos, ficam no coração, como amigos distantes, mesmo que nunca tenhamos convivido.

Jorge Moreno foi um assim: impossível não ler; não somente por tudo que informava, mas pelo que fazia sentir. Uma delícia encontrar sua coluna, em O GLOBO. Clareava o entendimento de semanas carregadas, mas também iluminava as manhãs de sábado.

Nem é o caso de citar os “furos” que deu — o cheque que pagou o Fiat Elba, que derrubou Fernando Collor; a queda de Gustavo Franco, no BC —, renderam-lhe prêmios e prestígio. Mas, muito além, Moreno era a ponte, a chave reflexiva e compreensiva, ali na mão, o amigo-texto. A imprensa perde com sua falta. O Brasil fica menos informado, menos aberto, largo, inteligente e divertido.

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