BRASÍLIA - O presidente do comitê do fundo de investimento em infraestrutura do FGTS (FI-FGTS), Luiz Fernando Emediato, eleito há menos de um mês, renunciou ao cargo nesta quarta-feira, durante a reunião do colegiado. Ele é citado na delação da JBS . A vaga será ocupada por Suzana Ferreira Leite, representante da União Geral dos Trabalhadores (UGT). A presidência do comitê é rotativa (representantes do governo, empregadores e trabalhadores).
Emediato vinha sendo pressionado a se afastar, diante das acusações de recebimento de propina. Ele nega. Diz que elas são "indevidas" e se referem a uma data anterior à sua entrada na comitê do FI-FGTS.
"Minha defesa é simples. Não estava no FI (...), mas infelizmente eu pago à vista o custo de ter sido injustamente citado e recebo a longo prazo a comprovação da minha inocência - disse Emediato.
Numa gravação, o diretor da holding (J&F), Ricardo Saud, conta que pagou propina a Emediato, quando ele era assessor especial do ex-ministro do Trabalho, Brizola Neto (entre 2012 e 2013). Na gravação, Saud contou que se aproximou de Emediato para pedir ajuda do Ministério na área de fiscalização. A queixa era que o JBS estava sofrendo uma fiscalização desleal com os pequenos frigoríficos, "que nunca tinham sido fiscalizados".
Emediato, segundo Saud, teria dito inicialmente que não podia interferir no trabalho dos fiscais, que tinham iniciativa própria. Mas que faria um projeto piloto no Rio e em Minas Gerais para intensificar o serviço nos pequenos frigoríficos. Pelo trabalho, cobraria R$ 20 mil por frigorífico, disse Saud. O valor total da propina chegou a R$ 2,8 milhões, de acordo com o relato do diretor.
"Contratamos o Emediato num ato de propina para ele fiscalizar os pequenos (frigoríficos) que nunca tinha sido fiscalizados. Ele falou que ia fazer um piloto em Minas Gerais e no Rio de Janeiro e para isso, ia cobrar R$ 20 mil por frigorífico", disse Saud num dos anexos da delação.
"Eu paguei para ele fazer", emendou o diretor, acrescentando que o dinheiro foi pago diretamente a Emediato e ele emitiu nota fiscal da editora Geração, de propriedade de Emediato.
Saud disse acreditar, no início da conversa com Emediato, que um aperto da fiscalização nos pequenos frigoríficos, que funcionam "sem as mínimas condições", poderia levar ao fechamento de vários deles. Na delação, o diretor contou que o trabalho foi feito, mas não surtiu efeito e por isso, foi abandonado pela empresa.

