Com a sanção do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra como feriado nacional, por meio da Lei nº 3.268/20, o 20 de novembro ganha ainda mais relevância no calendário brasileiro. O professor de História Edson Violim destaca que a data, além de celebrar uma conquista histórica, é um chamado à reflexão sobre a formação multicultural do Brasil e a urgência de construir uma sociedade mais justa e igualitária.
A escolha do 20 de novembro faz referência à morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares e símbolo da resistência contra a escravidão. Para Violim, a data representa muito mais do que um marco histórico: “É um símbolo de luta, resistência e orgulho. Esse momento nos convida a reforçar o combate ao racismo e a valorizar as contribuições africanas para a formação da nossa sociedade.”
A influência da cultura africana no Brasil está presente em diversos aspectos do cotidiano, da música à culinária, das tradições religiosas ao vocabulário. Com isso, o Dia da Consciência Negra é também uma oportunidade para reconhecer e honrar essas contribuições enquanto se busca um futuro mais inclusivo e igualitário.
Ele lembra, por exemplo, o impacto de figuras como Pelé, o maior ídolo esportivo do país, que além de símbolo nacional, representa o legado africano. Segundo o professor, as raízes africanas são uma parte essencial da identidade e da história do Brasil: “O nosso jeito de ser, enquanto brasileiros, não veio da Europa, mas sim da África. A cultura negra está presente na nossa culinária, música e esporte”, acrescenta.
Por outro lado, mesmo em tempos atuais, combater o racismo e o preconceito deve ser uma luta de todos os brasileiros, sobretudo pela herança mista da população. “Negar o racismo no Brasil é ‘tapar o sol com a peneira’. Ele existe sim e precisamos combatê-lo. Estudos apontam que, de cada cinco brasileiros que se consideram brancos, três possuem sangue africano ou indígena”, detalha Edson Violim.
Combate à intolerância e orgulho das raízes
Ao relembrar que o Brasil recebeu o maior número de africanos escravizados das Américas, enriquecendo uma elite que explorou a força de trabalho dessa população, o historiador reforça que o racismo é um problema estrutural e histórico. "Precisamos enfrentar essa questão com seriedade e manter a luta contra o racismo. Esse flagelo ainda marca nossa sociedade."
De acordo com o docente, outro aspecto que preocupa é a intolerância religiosa, sobretudo contra religiões de matriz africana. “Os ataques a centros de umbanda e candomblé por grupos fundamentalistas são inaceitáveis e devem ser combatidos. A diversidade religiosa sempre será característica do Brasil”, finaliza.

