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Cracolândia de São Paulo é alvo de nova operação policial

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SÃO PAULO — A Cracolândia foi alvo de uma nova operação policial na manhã deste domingo no centro de São Paulo. Desta vez, agentes da Força Tática e da Tropa de Choque da Polícia Militar, e da Guarda Civil Metropolitana entraram por volta das 6h na Praça Princesa Isabel, que reunia a maioria dos usuários de drogas. A praça havia sido ocupada por usuários de crack após a primeira operação realizada na Cracolândia, no mês passado.

Vários quarteirões no entorno da praça foram isolados pela Polícia Militar. Alguns usuários atearam fogo em barracas, causando incêndio que podia ser visto a mais de um quilômetro de distância. Bombeiros foram ao local e debelaram o fogo no meio da manhã. Não houve feridos, mas a maioria dos barracos foi destruída. Dezenas de funcionários da prefeitura limparam a área e recolheram os pertences dos usuários - como colchões, cobertores e itens pessoais.

Diferente da primeira operação realizada na Cracolândia, no último dia 21 de maio, até o final da manhã não foi registrada a ocorrência de confronto entre policiais e usuários. A maior parte deles se espalhou por ruas da região da Luz, no Centro de São Paulo, depois da operação.

Um grupo maior foi encurralado por agentes da Tropa de Choque na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Helvética, próximo à área onde funcionava a antiga cracolândia. Os usuários eram impedidos de deixar o local e agentes do serviço social da prefeitura e do governo do estado tentavam abordá-los. Pelo menos dois traficantes foram presos, segundo a Polícia Militar.

O prefeito João Doria (PSDB) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) foram à região da Cracolândia após o fim da operação, por volta das 7h30.

— A dependência química é uma doença crônica, recidivante, não resolve em 24 horas. Cada um que a gente consegue tirar da rua, oferecer a ele tratamento, interná-lo, ir para uma comunidade terapêutica, é uma grande vitória — disse Alckmin, que reconheceu não ser possível acreditar que o problema “vá se resolver da noite para o dia”.

Doria destacou que a prefeitura pretende realizar atendimento diferenciado para pessoas em situação de rua, que também precisam ser acolhidas e foram alvo da ao.

— Não há recuo, vamos continuar avançando e perseverando em ação contínua, medicinal, social, urbanística e policial — afirmou o prefeito, que voltou a dizer que apesar das dificuldades do combate ao uso de crack, entende não existir mais na região o “shopping center a céu aberto”.

Perguntado sobre o risco de uma nova cracolândia se estabelecer em novo endereço, depois da ação na Praça Princesa Isabel, Doria disse crer que “o fluxo vai diminuir”.

— O endereço correto é o atendimento médico. Nossa intenção é que não haja novos endereços. Por isso a ação será contínua — afirmou.

A concentração de usuários na Praça Princesa Isabel começou no dia 21 de maio, quando foi feita a primeira grande ação policial na Cracolândia para a prisão de traficantes e apreensão de armas. Até então, a maior concentração era no cruzamento da Alameda Dino Bueno ou da Rua Helvétia.

A nova operação era planejada desde o início do mês, em função da dificuldade da prefeitura em atrair para seus alguergues e centros de acolhimento os usuários que dispersaram pelo centro depois da primeira operação, em 21 de maio. Sem ter pra onde ir, vários deles voltaram a se reunir em outros pontos da cidade, o que arranhou o discurso do prefeito João Doria, dando conta de que de a cracolândia havia acabado.

A ação deste domingo previu a instalação de tendas e contêineres em uma rua próxima ao atual fluxo, equipadas com chuveiros e vasos sanitários. A ideia é que os usuários se abriguem ali, em melhores condições sanitárias, e não estabeleçam um novo ponto público da cidade como espaço para uso de drogas.

Usuários têm sido refratários a abordagens de agentes sociais e de saúde, especialmente depois do pedido da prefeitura para facilitar a internação compulsória do grupo. Uma liminar, no entanto, impede a gestão Doria de abordar e levar usuários à força

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