BRASÍLIA - Em setembro de 2015, o lobista Fernando Antônio Falcão Soares, conhecido como , firmou um acordo delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (), quando a Operação ainda estava a todo vapor. Como parte da colaboração, entregou não apenas informações do que sabia, mas também dois celulares iPhone 3. O tempo passou e nem o próprio Fernando Baiano, apontado como operador de políticos do PMDB em esquemas de corrupção, não quis saber mais dos aparelhos. Embora avisado, ele preferiu não ir buscá-los de volta depois.
Assim, na última quarta-feira, o ministro Edson Fachin, relator dos procesos da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), entendeu que há desinteresse de Fernando Baiano e mandou destruir os telefones. De tão defasados que eram os celulares, não valia a pena nem mesmo fazer um leilão para vendê-los.
Os dois aparelhos foram periciados pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal (PF) no fim de 2015. Mas Fernando Baiano nunca quis buscá-lo depois, embora a própria PGR tenha se posicionado pela devolução. Assim, em documento de 27 de outubro do ano passado, a procuradora-geral da Repúblia, Raque Dodge, se manifestou novamente.
"Ocorre que é imprescindível seja dada destinação aos bens, a fim de se evitar que os celulares em questão permaneçam indefinidamente no órgão sem qualquer utilidade. Ademais, aparelhos antigos e usados que são, não têm mais valor econômico, de modo que o procedimento de seu perdimento e conversão em dinheiro em favor da União acarretaria prejuízo. Ante o exposto, a Procuradora-Geral da República requer que seja intimado o colaborador para que efetue a retirada dos aparelhos apreendidos, sob pena de destruição", escreveu Dodge.
Fachin autorizou então nova intimação de Baiano, o que veio a ocorrer em 4 de janeiro de 2018. Mas o delator continuou sem buscar os celulares. Assim, em 2 de maio, a PGR se manifestou pela destruição dos aparelhos, o que veio a ser autorizado por Fahin agora.

