O deputado federal Luiz Carlos Busato (União-RS) é mencionado em uma delação que o associa a práticas de corrupção durante sua gestão como prefeito de Canoas (2017-2020). Um médico que liderava a organização social GAMP (Grupo de Apoio à Medicina Preventiva), responsável por serviços à prefeitura, gravou conversas em que Busato negocia propinas e pressiona por pagamentos.
Nos áudios, adquiridos pela colunista Natália Portinari do UOL, o ex-prefeito discute um aumento de repasses à GAMP, cobrando parte do montante em propina. Busato nega a autenticidade das gravações e quaisquer irregularidades.
"Bom, então se estamos aumentando R$ 4 milhões, R$ 5 milhões, acho que tem condições de o GAMP pegar uma parte e acertar conosco. (...) Cássio se comprometeu a, de agora em diante, pagar o do mês, não vai deixar atrasar o do mês, senão esse troço vira uma bola de neve (...) e propôs pagar em 30 parcelas, em 30 meses. 30 meses não tem como, Cássio", diz o deputado no áudio.
Ele chega a dar uma bronca por causa de interrupções de pagamentos: "O que me interessa é o nosso acordo. (...) não podemos ficar indefinidamente na esperança de "ah, agora tem a Polícia Federal, tem, não sei o que que vai acontecer (...) Porra, se nós já fizemos um esforço de aumentar de 16,5 (milhões) para 21 (milhões)", diz o prefeito.
Busato reclama ainda que não pode ficar um ano sem receber "a cada peido da Polícia Federal"
O Ministério Público do Rio Grande do Sul investiga superfaturamento e desvios nos contratos de saúde, apontando um prejuízo de R$ 22,8 milhões. As investigações resultaram em 46 inquéritos e 17 ações penais, envolvendo diversos políticos e empresários.


