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Em retaliação, Renan destitui Rose de Freitas da presidência da Comissão de Orçamento

BRASÍLIA — A guerra aberta do líder do PMDB com o governo Michel Temer teve mais um desdobramento nesta quinta-feira, com a destituição da senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) da presidência da Comissão Mista de Orçamento (CMO). A comissão recebeu ontem um ofício com as indicações de Renan, que além de Rose, indicou os senadores Valdir Raupp (PMDB-RO) e Kátia Abreu (PMDB-TO) como titulares. Um dia depois da senadora capixaba ter interpelado Renan no plenário, contra seu discurso desancando Temer, o líder da bancada encaminhou outro ofício anulando todas as indicações, em retaliação.

Com a retirada de Rose, Renan tenta convencer o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), a reivindicar a relatoria da CMO, para tirar a indicação que cabe ao PP do líder Arthur Lira (PP-AL), seu adversário em Alagoas.

A discussão de Rose com Renan, no plenário, teve a participação de Kátia e Marta Suplicy (PMDB-SP). No jantar com a bancada na terça-feira, o líder fez comparação do que chama de falta de rumo do governo Temer com o desgoverno da presidente cassada Dilma Rousseff. Disse que a diferença é que Dilma não sabia para onde ir, e Temer não tem para onde ir. Ontem a tarde, Renan repetiu a mesma comparação, no microfone do plenário, o que levou à discussão com Rose de Freitas.

— Eu fiz uma manifestação a partir da minha percepção e pela convivência que tive com os dois, Dilma e Temer. A presidente Dilma sempre me passou a impressão de que não sabia para onde ir. E o presidente Michel Temer, com essa política econômica de arrocho, de juro alto, de aumento de imposto, de recessão de desemprego, se não mudar, ele está passando a percepção para mim que não tem para onde ir. Ou seja, a presidente Dilma não sabia para onde ir, e o presidente Temer não tem para onde ir — repetiu Renan.

A senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) foi tirar satisfação.

— Do meu gabinete eu vi o discurso do Renan e desci para o plenário como uma flecha e perguntei: Como assim Renan? Você está falando isso como líder? Você sabe o que eu penso sobre isso? — questionou Rose de Freitas.

Ao ouvir a discussão, no plenário, a senadora Kátia Abreu saiu em defesa de Renan:

— Você tem que entender o problema dele em Alagoas — disse Kátia.

Ainda no jantar na casa de Kátia Abreu, segundo um senador do PMDB, Rose reclamou que Renan não podia confundir sua guerra pessoal com o Planalto com o comando da bancada. Ela cobrou que ele fizesse as nomeações para a Comissão de Orçamento e distribuição de relatorias, que estavam paradas. Renan prometeu que o faria no dia seguinte e fez as indicações pela manhã, com um oficio encaminhado pelo presidente do Congresso, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Mas hoje voltou atrás e mandou outro ofício, anulando as indicações, segundo sua assessoria, porque havia um acordo para que o PSDB ocupasse a relatoria da Comissão de Orçamento. Só que pelo rodízio, agora caberia ao PMDB do Senado indicar o presidente da CMO, e o centrão da Câmara indicar o relator, que deverá ser o deputado Kaká Leão (PP-BA), por indicação líder Arthur Lira (PP-AL), adversário político de Renan em Alagoas.

— O direito é do PP indicar o relator e será o deputado Kaká Leão. O Renan está incentivando o Aécio a entrar nessa confusão, mas o líder Arthur Lira diz que não abre mão da relatoria de jeito nenhum — disse o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI).

— Lá atrás, o PSDB pediu um gesto do PMDB para que abrisse mão da presidência da CMO a nosso favor. Mas não teve acordo na repartição das comissões e isso foi esquecido. Essa destituição da senadora Rose de Freitas nada tem a ver com o PSDB. Renan está tentando fazer o núcleo dele — disse o vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).

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