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Pezão afirma que acusação de delator é 'mentira deslavada'

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RIO – O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, chamou nesta quinta-feira de “mentira deslavada” a acusação de que teve R$ 900 mil em despesas pessoais pagas com dinheiro do esquema de corrupção do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em delação premiada, o advogado Jonas Lopes Neto, filho do ex-presidente do TCE Jonas Lopes, afirmou que o subsecretário adjunto de Comunicação do governo, Marcelo Amorim, recolheu a propina em empresas do setor de alimentação e quitou despesas do governador. Pezão negou a acusação e afirmou que vai processar o delator, o subsecretário conhecido como Marcelinho, casado com uma sobrinha do governador.

— É mentira deslavada. Eu nem conheço o Jonas Lopes Neto. O Marcelo já depôs (à Polícia Federal). Eu tenho muita tranquilidade quanto a isso. Quem conhece o meu padrão de vida sabe que isso aí foge a qualquer propósito. Nem meus quatro anos de salário (como governador) dá um dinheiro desse. Única coisa que sei é que vou processá-lo pela mentira – afirmou o governador, após prestar depoimento hoje por videoconferência ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Pezão confirmou que recebeu em seu apartamento, no Leblon, Jonas Lopes, que então presidia o TCE. O governador, no entanto, afirmou que a razão do encontro foi outra. Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), Jonas Lopes disse que a reunião foi organizada por Pezão para aparar arestas em relação ao esquema de propina do TCE. O delator revelou que os conselheiros dividiam 1% do valor de cada obra que custasse mais de R$ 5 milhões. Ainda segundo o depoimento, o então secretário de Obras, Hudson Braga, estaria recolhendo 2% de propina e dizendo às empresas que o valor seria destinado aos integrantes do TCE. Ao tomarem conhecimento da ação de Braga, os conselheiros foram cobrá-lo, e o encontrou foi organizado.

O governador, no entanto, disse que recebeu Jonas Lopes e o conselheiro Aloysio Neves, que foi preso pela Operação O Quinto do Ouro, para cobrar mais rapidez do TCE na análise dos editais das obras. Segundo Pezão, o Rio é um dos únicos estados que envia os editais para prévia análise do tribunal, com o objetivo de coibir possíveis irregularidades.

— A gente fez isso durante quase todo o mandato. Estava demorando muito a análise do Tribunal de Contas. A gente tomou isso como precaução. Cada secretaria tinha os seus procuradores, até para dar mais garantia das exigências dos editais. Essa reunião foi para cobrar, porque todos nós que éramos cobrados, tanto pela população, pelos atrasos de obra, pela demora às vezes de um recurso que vinha de Brasília, muitas vezes nós corríamos risco até de perder os recursos – afirmou o governador.

Pezão compareceu hoje à sede da Justiça Federal no Rio para prestar um depoimento como testemunha de defesa do ex-governador Sérgio Cabral. No processo que corre em Curitiba, Cabral é acusado re receber R$ 2,7 milhões em propinas da Andrade Gutierrez na execução das obras de terraplanagem do Comperj, Complexo Petroquímico em Itaboraí, no estado do Rio.

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