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Escolha de tucano para relatar segunda denúncia contra Temer é questionada na CCJ

BRASÍLIA - A primeira reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para analisar a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer teve como objeto principal o questionamento sobre a escolha do deputado Bonifácio Andrada (PSDB-MG). Enquanto a oposição criticava a opção feita pelo presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), por indicá-lo para o posto, deputados da base fizeram desagravos a Andrada, que votou para livrar Temer das investigações na primeira denúncia, por corrupção passiva. E vem dando sinais de que deve fazer um parecer para arquivar mais esta acusação, desta vez por organização criminosa e obstrução de Justiça.

Irônico, o deputado Silvio Costa (Avante-PE) disse que a posição de Andrada é tão conhecida que brincou que o nome desse relatório deveria ser JQuest, em referência à banda mineira que fez sucesso com a música "Fácil". Ele e outros integrantes da comissão pediram que Pacheco revisse sua escolha. Ao fim dos debates, no entanto, Pacheco reiterou sua decisão e defendeu o relator.

— Vou chamar esse parecer de J Quest porque é fácil, extremamente bonifacil. o homem efetivamente já declarou o voto dele. Bonifácio fará um relatório para salvar o presidente Michel Temer. Houve um tempo que essa comissão tinha muitos juristas. Agora continua com muitos juristas, mas porque emprestam dinheiro a juros — acusou Costa.

Já o deputado Arthur Lira (AL), líder do PP e importante aliado de Temer, disse que não é possível haver isenção na discussão deste tema e qualquer relator poderia ser criticado por sua posição. Lira elogiou a escolha de Andrada.

— Críticas são absolutamente descabidas. Qual deputado daria um relatório imparcial sobre esse tema? Vamos parar com isso? Vai ganhar quem tiver mais voto. Essa discussão há muito deixou de ser jurídica. Não vai ser o voto do relator que irá mudar o voto de ninguém. O quadro já está definido — avaliou.

Pacheco, por sua vez, disse que da mesma forma como escolheu da primeira vez alguém por seu conhecimento jurídico, agora também adotou critérios técnicos. Segundo ele, o "ingrediente a mais" desta vez foi o fato de que como todos os deputados votaram no último dia 2 de agosto para arquivar ou autorizar a primeira denúncia (por 267 votos a acusação foi enterrada), essas posições ficaram conhecidas. Mas destacou que Andrada é doutor em direito e inciou sua carreira como deputado há quarenta anos.

— Ele preenche todos os requisitos, está na Câmara desde 1979, quando eu tinha 3 anos de idade. Qualquer escolha estaria sujeita a criticas as mais variadas. Pautei minha decisão por critérios técnicos — explicou-se Pacheco.

O presidente da CCJ aproveitou para pedir "escusas" ao PSDB pelo constrangimento criado ao partido. Mas disse que as disputas internas não podem ser transferidas para a comissão. Rachado desde a primeira denúncia, o PSDB se movimentou para evitar que um tucano fosse escolhido para o cargo, expondo ainda mais as fraturas internas. Mas Pacheco não atendeu a esses apelos e elegeu o conterrâneo.

Amanhã há uma nova sessão da CCJ marcada para dar seguimento ao trâmite da denúncia. Os advogados de defesa de Temer e dos ministros Moreira Franco (Secretaria Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil), também denunciados na mesma peça acusatória, devem apresentar argumentos para desconstruir as acusações apresentadas pelo ex-procurador geral da República Rodrigo Janot. Hoje a Rede apresentou um requerimento para que haja votos separados para cada acusado, mas o pedido não foi votado.

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