BRASÍLIA - Denunciado por corrupção passiva, o presidente Michel Temer disse que fez "oito anos em 14 meses" de governo e reclamou da "luta política" contra a reforma trabalhista, que será sancionada ainda nesta quinta-feira. O peemedebista tentou mais uma agenda positiva no Palácio do Planalto, anunciando realocação de R$ 1,7 bilhão na Saúde.
— Tudo isso é feito em 14 meses de governo. É um trabalho que demandaria quatro anos, oito anos. Estamos fazendo oito anos em 14 meses — declarou, parafraseando o ex-presidente Juscelino Kubitschek, que tinha o mote "50 anos em cinco (1956 a 1961)", no contexto da construção de Brasília, da abertura ao mercado automotivo estrangeiro e do desenvolvimento industrial do país. Temer está há 14 meses na Presidência, desde o afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff em 12 de maio.
O presidente voltou a dizer que irá até o fim do mandato, em dezembro de 2018, e cogitou uma meta de, até lá, zerar filas em hospitais. Temer pode ser afastado da Presidência em seis meses se tornar réu em corrupção passiva. Para isso, dois terços da Câmara — 342 deputados — devem votar pela aceitação da denúncia contra ele. Em seguida, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) julgará se Temer será réu.
— O meu maior sonho é que num dado momento os jornais televisivos possam revelar no seu noticiário que não há fila em hospital e há atendimento em todos os hospitais. E para isso nós temos mais um ano e meio. E, nesse ano e meio, tenho certeza de que você (Ricardo Barros) vai conseguir isso no Ministério da Saúde.
Temer, que sancionará a reforma trabalhista em mais uma cerimônia no Planalto nesta quinta-feira, prometeu empregos em "brevíssimo tempo" e reclamou de "luta política".
— Nós flexibilizamos a relação trabalhista exata e precisamente para combater o desemprego. As pessoas não estão preocupadas com conteúdo. A luta é política. Então, como a luta é política, querem destruir... dizendo aos trabalhadores do Brasil que, na verdade, vão perder direitos. Mas vão ganhar direitos. E vão ganhar postos de trabalho.
Mais uma vez, o presidente disse que foi elogiado por outras pessoas, sem citar nomes. Nesta terça-feira, havia dito que "vários" representantes empresariais e políticos lhe dizem que o Brasil "não pode parar". Já nesta quinta-feira, declarou que foi chamado de "muito corajoso" por parlamentares.
— De vez em quanto os colegas do Parlamento dizem: "Você é muito corajoso, porque enfrentou questões como a reforma trabalhista, do Ensino Médio, como questões de Saúde, que outros tantos não foram capazes de enfrentar". E penso o seguinte: mais do que coragem, nós tivemos ousadia.

