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‘Estava incentivando a JBS a se limpar’, diz Miller à CPI

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BRASÍLIA - O ex-procurador afirmou em depoimento à que estava incentivando o grupo empresarial a se "limpar". Ele é acusado de ter auxiliado a empresa antes de deixar seu cargo no Ministério Público Federal. Miller questionou o pedido de prisão que foi feito contra ele pelo ex-procurador , e negado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal () .

— Ele (Janot) me imputou tipos penais que são fora da margem. Organização criminosa. Qual crimes eu teria me articulado para praticar? Eu estava incentivando uma empresa a se limpar. Obstrução de justiça? Pelo contrário, era desobstrução, era para que empresa fosse lá falar a verdade — disse Miller.

Ele prosseguiu questionando a acusação de exploração de prestígio. Afirmou que essa parte se baseia em um trecho do áudio do diretor Ricardo Saud com o dono da JBS Joesley Batista. Saud afirma que Miller, Janot e uma pessoa de nome Cristian atuariam em um escritório de advocacia em acordo com um "dono" da empresa para a qual Miller estava indo. O ex-procurador destacou que o escritório no qual foi atuar, o Trench, Rossi e Watanabe, tem 19 sócios majoritários e trabalha com sistema de cotas. Observou que não conhece e nem achou na listagem do Ministério Público nenhum Cristian que pudesse se aposentar e ir atuar. Miller destacou o fato de sua prisão ter sido pedido enquanto prestava depoimento pela acusação que lhe era feita.

Miller negou que tenha deixado o Ministério Público Federal por "ganância". Disse que desejava ganhar melhor, mas que a área de atuação lhe motivou.

— Não agi por ganância. Se fosse, teria ido na área criminal, onde os honorários são mais altos - disse.

— Eu não vou ser hipócrita. Se me oferecem o mesmo salário, eu iria? Não iria. Óbvio que queria ganhar melhor. Mas eu não queria ficar milionário. Não foi ganância — complementou.

Ele afirmou que a minuta de um contrato de R$ 15 milhões de honorários para ser cobrado da JBS por êxito na leniência nunca chegou a ser assinado. Destacou ainda que devido à repercussão, o escritório Trench, Rossi e Watanabe decidiu por não receber nenhum recurso do grupo empresarial. Observou ainda que não foi essa banca quem conseguiu fechar o acordo com o Ministério Público Federal.

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