BRASÍLIA – Em discurso de despedida no Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República disse nesta quinta-feira que sofreu todo tipo de ataque enquanto exerceu o cargo. No entanto, ele avalia que é natural esse tipo de reação, já que ele se dedicou a enfrentar a corrupção no país. Janot deixa a chefia do Ministério Público Federal no próximo domingo. Na segunda-feira, a subprocuradora da República Raquel Dodge assumirá o cargo pelo período de dois anos.
— Tenho sofrido nessa jornada, que não poucas vezes pareceu-me inglória, toda sorte de ataques. Resigno-me a meu destino porque, mesmo antes de começar, sabia exatamente que haveria um custo por enfrentar esse modelo político corrupto e produtor de corrupção, cimentado por anos de impunidade e descaso — afirmou.
Janot disse que esses ataques já estão “nos escombros do passado”, por estar de saída do cargo. E completou:
— As páginas da história certamente vão revelar o lado que cada um escolheu para travar sua batalha pessoal nesse processo.
O ministro Gilmar Mendes, principal crítico do trabalho de Janot, não estava presente na sessão de hoje. A presidente do STF fez breve discurso na sequência. Disse que a transitoriedade dos mandatos é saudável para a democracia e significa que as instituições são maiores que as pessoas que as representam.
— É da democracia e da República a transitoriedade dos mandatos, dentro perspectiva de que somos passageiros numa nação que é muito maior do que qualquer um de nós. Desejamos que vossa excelência tenha nessa nova fase perspectiva, realizações, e o Ministério Público continuará a cumprir a missão que

