SÃO PAULO. Em novo desdobramento, a Operação Lava-Jato investiga aditivos que ultrapassam R$ 2, 2 bilhões em contratos firmados entre a Odebrecht e uma subsidiária da Petrobras, a Petroquisa. Os investigadores apuram crimes de corrupção e lavagem de dinheiro nas contratações feitas pela Construtora Norberto Odebrecht (CNO) com a Petroquímica Suape e com a Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (CITEPE), ambas ligadas à subsidiária da estatal.
— A aprovação de aditivos bilionários era a forma de garantir vantagens indevidas - disse o procurador Roberson Pozzobon, ao explicar como agentes públicos negociavam propinas em troca da majoração dos contratos da estatal. A declaração foi feita em coletiva à imprensa, na manhã desta sexta-feira, na sede da superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.
O Ministério Público Federal (MPF) disse que os pagamentos foram feitos entre 2008 e 2014, sendo possível que tenha havido posteriormente outros pagamentos e práticas sucessivas de lavagem de dinheiro. Segundo Pozzobon, no primeiro contrato de 2008, firmado por Odebrecht e a Petroquímica Suape, tinha como meta o montante de R$ 1,085 bilhão. Contudo, após o pagamento de propinas aos funcionários da estatal houve dois aditivos que somaram R$ 586 milhões aos contratos em dezembro de 2008. Já no segundo contrato, feito entre a CNO e a CITEPE, o preço estimado era de R$ 1, 8 bilhão. Porém, após a corrupção houve novos aditivos em 2012 e o contrato chegou a R$ 3, 5 bilhões.
A Lava-Jato foi às ruas, no início da manhã desta quinta-feira, com base em documentos e informações de delatores que constam no acordo de colaboração e leniência da empresa. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), as obras foram direcionadas ao grupo Odebrecht por meio de propinas que que chegam a R$ 32, 5 milhões. Os valores foram pagos em espécie no Brasil e também no exterior (em nome de empresas offshores) a quatro funcionários do alto escalão da estatal e da subsidiária por meio do setor de Operações Estruturadas da empresa, o chamado departamento de propina.
A Polífica Federal cumpriu quatro mandados judiciais de busca e apreensão, um de condução coercitiva, um de prisão temporária e três intimações de medidas alternativas.

