BRASÍLIA — O ex-procurador Marcello Miller afirmou em seu depoimento à CPI da JBS que acertou sua saída do escritório Trench, Rossi e Watanabe em julho deste ano, três meses após o ingresso, por R$ 1,610 milhão. Segundo Miller, o valor é "bem inferior" ao que receberia se tivesse continuado. A CPI tinha identificado dois pagamentos a ele, que totalizam R$ 449 mil. Ele afirmou que o primeiro destes, de R$ 277 mil, referem-se a uma parcela de bônus pela contratação e os salários fixos de abril, maio e junho.
— Eu fui contratado pelo escritório com base permanente. Eu era sócio do escritório. Houve uma ocasião de um depósito de 277 mil reais e uns quebrados, que eu já expliquei, tem estrita base contratual. E depois houve um distrato. Esse distrato reconhece direitos. Ele é bem inferior ao contrato. Ele prevê pagamento parcelado ao longo de 18 meses e o escritório está cumprindo esses pagamentos. O valor pactuado foi de R$ 1,610 milhão — disse Miller.
O ex-procurador afirmou em seu depoimento que, após a polêmica que envolveu o caso, o escritório que trabalhava optou por não receber nenhum recurso do grupo da JBS. Miller atuou oficialmente na negociação do acordo de leniência da empresa. Ele admitiu ter feito contatos e tratado de outros temas enquanto antes de sua exoneração do Ministério Público ser concluída, mas refutou que estes serviços fossem de advocacia, destacando que não foi remunerado por eles.
