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Nos EUA, ministro das Relações Exteriores reafirma PSDB no governo Temer

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WASHINGTON — O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), negou na tarde desta quinta-feira em Washington que o PSDB estuda deixar de apoiar o governo de Michel Temer. Na capital americana para a reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a Venezuela, o chanceler disse que não existe um pedido de deputados tucanos para que o desembarque do governo ocorra até terça-feira, antes da votação da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

— Eu não falo de política interna estando fora do Brasil. O PSDB está no governo. O PSDB tem quatro ministros do governo. O PSDB é cioso de seus compromissos, e o compromisso que o presidente assumiu conosco ao nos convidar para integrar o governo foi o compromisso de apoiarmos as reformas em curso, e nós estamos no governo — afirmou o chanceler, comentando reportagem de “O Estado de S. Paulo” que noticiou a divisão do partido.

Aloysio disse “nem todos no partido pensam com a mesma cabeça”, que há sensibilidade e realidades regionais diferentes, e que a linha dominante é a de dar sustentação ao governo. Ele afirmou que o governo deve mostrar força com a aprovação das reformas.

— O presidente Temer, mais do que ninguém, tem hoje condições de angariar maioria parlamentar para aprovar as reformas. Nós devemos votar já na próxima semana a reforma trabalhista no Senado, e há uma série enorme de outras reformas que estão sendo implementadas por votações; ainda na semana passada de seis medidas provisórias que serão confirmadas hoje no Senado — afirmou o chanceler,

Aloysio ​disse ainda que ​n​ão houve preocupação de outros ministros da região, na reunião de quarta-feira quando esteve com representações e chanceleres de todos os países do continente sobre a situação política do Brasil e eventual crise de institucionalidade.

— Todos compreendem que nós estamos vivendo um momento de turbulência política no Brasil. Isso é inegável. Mas não há turbulência institucional. As instituições funcionam e é isso que conta nas relações externas dos países.

Ao lado de Aloysio, o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, também afirmou que não vê problemas institucionais no Brasil com a atual crise política.

Aloysio Nunes Ferreira minimizou a carta aberta publicada por dezenas de funcionários e diplomatas do Itamaraty que defende eleições diretas como solução para a crise política brasileira e condenando a repressão aos manifestantes. Após uma reunião com o secretário-geral das OEA, o ministro defendeu a liberdade de expressão dos manifestantes.

— Eu acho que a manifestação de funcionários públicos é uma manifestação livre, são cidadãos brasileiros, dizem o que pensam. Eu não faço caça às bruxas no Itamaraty e não farei — disse ele.

Questionado sobre o documento da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República que indica “falha sistêmica” na diplomacia brasileira tanto no governo do PT como na atual gestão, segundo reportagem da “Folha de S. Paulo” desta quinta-feira, Aloyiso afirmou que discorda da avaliação do documento.

O chanceler disse que há um norte na política externa, citando, por exemplo, a mudança feita no governo de Michel Temer que tem sido muito mais enfático na defesa da democracia e que está destravando acordo comerciais e o Mercosul.

— Esse evidentemente é um assunto que foi tratado por pessoas que escreveram sob sua própria responsabilidade. A própria apresentação do texto, que foi feita pelo ministro Moreira Franco diz que isso não corresponde a uma posição do governo brasileiro, corresponde a uma posição e apreciação dos autores dos diferentes textos.

Aloysio afirmou que está reavaliando a situação de embaixadas abertas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, para que elas “tenham o que fazer” e disse que, eventualmente, pode fechar ou agrupar algumas destas representações, conforme antecipado em março pelo GLOBO.

— O problema de você ficar abrindo embaixadas é ficar abrindo embaixadas sem ter muito o que fazer. Eu estou procurando em cada embaixada brasileira, em cada representação brasileira no exterior dar um sentido prático, principalmente na área da cooperação e muitos desses países já tínhamos uma cooperação importante — disse o chanceler brasileiro. — Nós vamos avaliar, se houver interesse podemos fechar ou agrupar representação de vários países em um só, mas isso tem que servir estou com prudência e caso a caso.

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