BRASÍLIA — A (PF)afirmou que há indícios de que o ex-ministro da Secretaria de Governo (PMDB-BA) praticou ao simular o aluguel de equipamentos agrícolas para suas fazendas. Os pagamentos considerados suspeitos pela PF totalizam R$ 6,3 milhões.
As informações estão em um relatório anexado, no final de novembro, ao inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga os R$ 51 milhões que foram encontrados em um apartamento em Salvador que seria utilizado pelo ex-ministro. O documento foi revelado pelo jornal “O Estado de São Paulo”.
Na mesma operação em que o dinheiro foi apreendido, policiais cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa da mãe de Geddel, Marluce Vieira Lima, e encontraram documentos que indicavam o aluguel de maquinário agrícola da empresa JR Terraplanagens durante pouco mais de três anos — foram 39 pagamentos, com média de gasto mensal de R$ 184 mil.
No entanto, policiais ressaltaram que, no endereço registrado da empresa, em Vitória da Conquista (BA), há apenas a casa do dono, Valério Sampaio Sousa, sem qualquer indicativo de funcionamento de um estabelecimento comercial.
Além disso, moradores relataram que Valério de fato trabalha com maquinários agrícolas, mas ressaltaram que o negócio dele é pequeno, com dois ou três equipamentos, número muito inferior às quinze máquinas que teriam sido alugadas mensalmente por Geddel.
“O aluguel de um número elevado de máquinas agrícolas, trabalhando muitas delas por mais de 12 horas diárias, ao longo de mais de três anos toma tal prestação de serviço suspeita à pratica de delitos”, diz o texto.
O relatório afirma ainda que Valério já se identificou, no passado, como administrador de uma propriedade rural do ex-ministro na cidade de Itapetinga (BA), e que ele é conhecido em Vitória da Conquista como um administrador de negócios de Geddel.
Valério prestou depoimento à Polícia Federal no dia 24 de novembro, e afirmou que presta serviço há 20 anos para a família Vieira Lima, tendo, por isso, uma relação de amizade com ele. Ele disse ter oito máquinas disponíveis para locação.
O empresário também contou que seu filho trabalha como assessor parlamentar do deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel. Valério disse que nunca viu grande quantidade de dinheiro vivo nas propriedades rurais da família e que nunca realizou a busca ou entrega de dinheiro para algum integrante dela.
O filho do empresário, Valério Sampaio Sousa Junior, também prestou depoimento, no mesmo dia, e confirmou que é assessor do deputado desde 2009, mas disse que pediu a exoneração, por e-mail, em setembro. Ele afirmou que fica em Vitória da Conquista, onde atende a demandas feitas por Lúcio, sem entrar em detalhes em quais são elas. Também disse que não tem contato com outros funcionários do parlamentar e que não sabe onde ficam os escritórios dele, mas já esteve na sede do PMDB em Salvador, onde costumava ir quatro vezes por ano.
Valério Junior afirmou que não devolvia parte do seu salário à família Vieia Lima — como um outro ex-assessor de Lúcio, Job Ribeiro Brandão, contou à Justiça que fazia — e ressaltou que não fazia serviços como pagar contas ou fazer compras.
O GLOBO não conseguiu contato com a defesa de Geddel.

