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Presidência de Tasso no PSDB é ‘pinguela’, diz ala governista do partido

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BRASÍLIA - A propaganda partidária do PSDB chamando o governo de "presidencialismo de cooptação" expôs ainda mais o racha dos tucanos e fragilizou a permanência do senador Tasso Jereissati (CE) na presidência da sigla. Tasso, que é interino, irritou os correligionários que apoiam o governo. O partido conta com quatro ministérios, e a avaliação interna é a de que o vídeo criou um constrangimento grande para os ministros tucanos junto a Michel Temer. Entre os governistas a avaliação é que a presidência de Tasso está numa "pinguela".

— O vídeo foi um desastre total. Atingiu os ministros, fundadores do partido, muita gente da ala jovem e principalmente o Tasso. Houve muitos pedidos de ponderação para que o programa não fosse nesse linha. A insistência dele indica um desajuste com o desejo da maioria de que essa transição fosse uma oportunidade para pacificar o partido — opina o deputado Paulo Abi-ackel, da ala governista do PSDB.

Mas entre esses que acham que o partido errou no tom, não há desejo de vingança contra Tasso. E mesmo que a avaliação seja de que o senador perdeu as condições de liderar o partido, a aposta é de que parta do próprio Tasso a decisão de deixar o posto.

— A interinidade dele virou uma pinguela. Essa infelicidade dese vídeo pode lhe custar a presidência do partido, é difícil que ele possa se sustentar. Mas apesar do gesto truculento que ele fez, não haverá gesto truculento como resposta. Ele mesmo vai achar que disputar uma cadeira de interino é algo muito pequeno para o tamanho dele — avalia outro tucano governista, pedindo reserva.

Por outro lado, deputados que ficaram conhecidos como "cabeças pretas", que pregam uma renovação do partido e o descolamento do governo, consideram que a propaganda foi um sucesso. O deputado Daniel Coelho (PE), representante dessa ala, alerta que o partido não deve questionar a presidência de Tasso, pois aí será a ruína da sigla como coletivo.

— Foi sensacional. Quem não gostou pode até criticar, mas o programa faz uma perspectiva histórica, diz a verdade. Acho que Tasso foi muito corajoso. Querer tirá-lo da presidência é um caminho de querer estourar o partido. Temos que continuar dialogando para tentar chegar a alguma convergência — prega Coelho.

Integrantes do chamado centrão, que num primeiro momento após a votação que arquivou a denúncia contra Temer pressionou o governo a desalojar os tucanos dos quatro ministérios que ocupam para dar lugar aos partidos mais fiéis, agora querem pôr água na fervura.

— Sou contra que o PSDB saia do governo, a gente precisa do PSDB para aprovar as reformas. O governo tem que ter muita calma para não participar dessa briga interna. Temos que botar panos quentes, tentar ajudar. Tenho conversado com o presidente Michel de que não está na hora de a gente brigar com ninguém,a gente tem um objetivo maior que é a aprovação das reformas _ pontua o deputado Beto Mansur (PRB-SP), um dos principais integrantes da tropa de choque do Palácio do Planalto no Congresso.

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