BRASÍLIA — Buscando imprimir uma nova marca e se reconectar com a sociedade, a pouco menos de um ano das eleições, o PSDB lança hoje um roteiro do que seria seu governo, caso vença o pleito presidencial de 2018. O foco, diz o partido, é nas pessoas. No texto que será lançado oficialmente na tarde de hoje, os tucanos pregam o fim dos privilégios e evocam como valores o "desenvolvimento econômico e igualdade de oportunidades, com sensibilidade social."Embora não cite o atual governo, eivado por denúncias de corrupção, o documento, intitulado "Gente em primeiro lugar: O Brasil que queremos", diz que o PSDB não irá tolerar a falta de ética.
"A atividade pública não pode servir ao enriquecimento pessoal, mas somente ao bem comum. Não compactuaremos com a corrupção, a desonestidade, a falta de ética, os desmandos", diz o texto.
O documento é lançado um dia depois que o partido resolveu tentar pacificar as rusgas internas com o aviso de que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assumirá a dupla função de ser o candidato do partido à Presidência da República e o candidato único para presidir a legenda, a partir do mês que vem.
Na área social, o texto cita programas implementados pelos dois governo de Fernando Henrique Cardoso, como o Bolsa Escola e o Saúde da Família. E pontua que o Estado deve ter um "ativo braço social" para dar condições dignas de vida aos mais pobres. Nesse sentido, o roteiro de um novo governo tucano condena "os danos" causados pela "malversação do dinheiro público". E sugere que haja uma reforma tributária que taxe a renda e "salvaguarde" os mais pobres.
Os tucanos também defendem a redução do número de ministérios, cargos e órgãos para aumentar a qualidade da prestação dos serviços. E dizem que novas contratações públicas, só por meio de concursos, e quando necessárias.
No quesito segurança pública, o texto diz que cabe ao governo federal assumir a responsabilidade no combate à violência. Os tucanos sugerem que haja uma reforma no sistema prisional visando à reintegração dos presos à sociedade após serem soltos. O documento foi formulado pelo Instituto Teotônio Vilela e agradou parte dos deputados que ficaram conhecidos como cabeças pretas, que pregam há seis meses o rompimento com o governo.
Embora apoiassem a candidatura à presidência do partido do senador Tasso Jereissatti, alguns veem com bons olhos o lançamento de hoje, já sob a notícia de que será Alckmin o novo presidente do partido. O texto ataca em diversos momentos a cultura dos privilégios e chega a chama de "engrenagem perversa" o fatos de alguns terem mais chances do que outros.
O PSDB também procura se diferenciar do governo peemedebista na questão ambiental. Para se contrapor às críticas ferrenhas dos ambientalistas à atual gestão, os tucanos dizem que combaterão o aquecimento global.

