Quando a aposentada Sônia Camarinha gravou um vídeo do temporal que atingia Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, às 5h40 da madrugada desta sexta-feira, 24, não imaginava quantos estragos a tempestade ia causar. "Acordei com os clarões na janela de casa, mas não era uma chuva comum. Eram muitos relâmpagos seguidos, um clarão atrás do outro. Dava para ver coisas voando com o vento, mas só consegui ver a extensão dos estragos de manhã, quando saí de carro para ir à casa da minha filha. Parecia que tinha passado um furacão", contou.
Moradora de um condomínio na zona Leste da cidade, perto da rodovia Anhanguera, ela conta que o vento forte fazia vibrar as janelas e vergava as árvores do entorno, mas não afetou sua casa. "Foi cerca de meia hora de muitas rajadas e muitos clarões, mas só de manhã quando saí é que vi a extensão do temporal. Muitas árvores caídas, placas pelo chão, a avenida que dá acesso à cidade estava interditada, precisei pegar um desvio. Havia casas destelhadas, detritos pelas ruas, um cenário de destruição. Difícil até de circular de carro", relata. O condomínio todo ficou sem energia e o sinal de celular estava oscilando.
A prefeitura de Ribeirão Preto decretou estado de emergência e confirmou a morte de um idoso de 82 anos, atingido por uma estrutura que caiu sobre sua casa, no Jardim Salgado Filho. Às 5h45, foram registradas rajadas de vento de 70 km/h, na estação meteorológica do aeroporto. Em apenas 20 minutos foram registrados 24 milímetros de chuva, índice classificado como de chuva muito forte. Até às 7 horas, o Corpo de Bombeiros tinha recebido 130 chamados, a maioria relacionada à queda de galhos.
Conforme Ana Ávila, pesquisadora do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas (Cepagri), a região norte do Estado foi atingida por uma tempestade severa. "Pode se tratar de um tornado ou microexplosão que são os eventos mais intensos, mas é preciso ver os danos e avaliar os dados de radar e satélite disponíveis", disse. A tempestade atingiu também outras cidades da região, como Guariba, Sertãozinho e Taquaritinga.
Nas redes sociais, moradores de Ribeirão Preto relatam prédios tremendo e muito medo. "Acordamos com a casa parecendo que ia voar e a água entrando pelos ventiladores e luminárias. Parece o apocalipse. Misericórdia", escreveu uma internauta, moradora do Jardim Jandaia. O fotógrafo F. Bonadio estava na Avenida 9 de Julho quando quase foi arrastado pela ventania. "Começou a cair galhos e fios, achei que ia desta para a melhor."
O médico Felipe Ferraro contou que o vento foi tão forte no centro, onde mora, que sugou o aparelho de ar condicionado da janela do quarto. O apartamento fica no 10.o andar do prédio. "Eu acordei desesperada, 5 da manhã, com um estrondo gigante. Olhei tudo sendo destruído", postou Rafaela Triani. Vários internautas disseram que os prédios pareciam balançar com o vento.



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