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Relator da CPI vê ‘ilegalidade’ na prisão de ex-advogado da JBS que presta depoimento secreto

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BRASÍLIA - Relator da Comissão Parlamentar de Inquérito () o deputado (PMDB-MS) disse ver "ilegalidade" na prisão do , que atuou para o grupo da JBS e presta depoimento em sessão secreta na comissão. Willer foi preso após a delação dos executivos da empresa suspeito de envolvimento na acusação de corrupção do procurador Ângelo Goulart Villela.

— Partimos agora para a prisão de arquivo. Colocaram na cadeia um advogado por 76 dias e não se dignaram nem a ouvi-lo. Você vai nos autos e depoimentos e não encontra nada que justifique efetivamente uma análise de culpa efetiva. Foi uma ilegalidade — disse Marun.

De acordo com o relator, Willer se emocionou durante sua exposição aos parlamentares. , em sessão secreta.

Segundo o deputado, o interesse do procurador Villela era "funcional" ao ter lhe repassado um áudio em que um ex-sócio de Joesley negociava colaboração com outro procurador. De acordo com a acusação, Willer repassaria uma mesada de R$ 50 mil a Villela para que ele auxiliasse a JBS.

— O procurador Ângelo tinha um interesse em atuar na delação do Joesley e Wesley nesse contexto. Tinha interesse funcional. Não existe prova de repasse — afirmou o relator.

O relator da comissão afirmou que o depoimento confirmaria sua tese de que havia um complô para derrubar o presidente Michel Temer por meio da delação, além de impedir a nomeação de Raquel Dodge para a PGR.

— Isso sinaliza a existência de um complô que envolveu pessoas, empresas e instituições que tinha como objetivo derrubar o presidente Temer — afirmou Marun.

Outros parlamentares contaram que Willer disse ter sido usado, junto com Ângelo, pelo procurador-geral Rodrigo Janot para valorizar a delação dos irmãos Batista.

Ele apresentou aos deputados uma mensagem que lhe foi enviada por Ângelo na qual este diz que encaminhava a gravação do ex-sócio para que Joesley esteja informado que o Ministério Público (MP) teria perdido interesse na delação dele.

Willer citou ainda comunicações que mostrariam um assessor do Janot cobrando dos delatores o envolvimento de um juiz ou promotor entre os acusados.

O advogado ainda teria ironizado Janot ao comparar o encontro que teve com Ângelo com aquele que Janot teve junto o advogado Pierpaolo Bottini, da JBS, em uma distribuidora de bebidas em Brasília. Willer disse que se seu encontro foi considerado criminoso, o do ex-procurador-geral também poderia ser enquadrado da mesma forma.

Menos de meia hora após entrar na reunião, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) deixou o local afirmando que a CPI não passa de um "jogo de cartas marcadas para sepultar as investigações".

— É um jogo de cartas marcadas. É uma CPI para defender os investigados da Lava-Jato. Pegam um réu que foi preso com um objetivo só: acertar o ministro Edson Fachin (do Supremo Tribunal Federal) e o ex-procurador Rodrigo Janot para desqualificar as investigações — disse Rodrigues.

Segundo o senador, uma "ampla coalização formada por PT, PMDB e PSDB" tenta minar as investigações fazendo "reuniões a portas fechadas" e desacreditar o instituto da delação premiada por meio da CPI:

— Vão querer apresentar um projeto para rever as regras da delação no plenário após fazerem reuniões a portas fechadas. Estou propenso a não continuar mais nessa farsa.

Após o depoimento em sessão secreta do advogado Willer Tomaz de Souza, que foi preso sob acusação de comprar informações do procurador Ângelo Goulart Villela sobre investigações de corrupção envolvendo os irmãos Batista, integrantes da CPI da JBS reforçaram a disposição de convidar o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot para prestar esclarecimentos.

O presidente da comissão, senador Ataides Oliveira (PSDB-TO), disse ter se convencido com as explicações de Willer, que vem sustentando ter sido vítima de uma armação e nega ter cometido qualquer ilícito em conluio com Villela.

— Tudo leva a crer que o procurador Janot deverá vir a esta CPI explicar melhor sobre esta delação— afirmou Ataídes Oliveira ao fim da reunião.

Segundo ele, Willer apresentou gravações de áudio e mensagens que corroboram a tese de que os indícios da compra de informações foram fabricados pelos delatores da JBS para obterem vantagens junto a Janot. O senador afirmou que o advogado se comprometeu a entregar formalmente nos próximos dias o material apresentado durante o depoimento e outros documentos que compõem a sua defesa.

A CPI aprovou requerimento para ouvir o ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) Vinicius Marques de Carvalho. Não foram apreciados dois pedidos para chamar a ex-advogada da JBS Fernanda Tórtima para prestar esclarecimentos. A comissão criou uma terceira subrelatoria para investigar os vazamentos de depoimentos sigilosos. Segundo o relator da CPI, deputado Carlos Marun (PMDB-MS), o objetivo é um fazer um "eventual aprimoramento do instituto das delações".

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