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Sobrinho de Eunício reclamou de forma enérgica de atraso no pagamento de propina, diz delator

BRASÍLIA - Responsável por receber recursos de propina da Odebrecht destinados ao presidente do Senado, Eunício Oliveira, o presidente da empresa de vigilância e sobrinho do senador, Ricardo Augusto, reclamou de forma enérgica sobre a mudança na data de um dos pagamentos. A história foi contada pelo ex-executivo da Odebrecht José de Carvalho Filho. Segundo os delatores, Eunício recebeu R$ 2 milhões para ajudar na aprovação da Medida Provisória que disciplinava o Regime Especial da Indústria Química. Para auxiliar também na aprovação desta MP o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), recebeu R$ 100 mil, enquanto que o presidente do PMDB ficou com R$ 2,750 milhões, dinheiro que dividira com Renan Calheiros (PMDB-AL), e o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) ficou com R$ 1,5 milhão.

O episódio em que o sobrinho de Eunício reclamou sobre as condições do pagamento teria ocorrido no escritório da empreiteira. "José de Carvalho Filho recordou-se do fato de que, no mesmo dia que Ricardo Augusto esteve no escritório, o informou sobre a mudança da data, tendo este demonstrado grande insatisfação com a mudança da data, de forma até enérgica, pois afirmou que já havia disponibilizado avião para viabilizar a operação", registrou a Procuradoria-Geral da República no pedido de abertura de inquérito contra o presidente do Senado. Os investigadores pediram ao ministro Edson Fachin que fossem solicitados registros da entrada de Ricardo Augusto no prédio da Odebrecht em busca de confirmar o relato do delator.

De acordo com os delatores, os pagamentos a Eunício foram feitos em duas parcelas de R$ 1 milhão. A primeira foi paga em 24 de outubro de 2013 e a segunda em 27 de janeiro de 2014. O codinome usado para os registros foi "Índio". A negociação para os pagamentos foi conduzida por Cláudio Melo Filho. No caso de Rodrigo Maia, o registro de pagamento de R$ 100 mil foi sob o codinome "Botafogo" e o dinheiro repassado no dia 3 de outubro de 2013.

Em relação a Jucá, o lobista Milton Lyra foi o responsável por operacionalizar os pagamentos. Segundo os delatores da Odebrecht, Jucá recebia recursos para ele e em nome de Renan Calheiros. Claudio Melo Filho contou ter encontrado com Jucá em seu gabinete no Senado para debater o tema. José Carvalho Filho, por sua vez, reuniu-se com Milton Lyra em São Paulo. Os pagamentos foram liberados nos dias 3 e 10 de outubro de 2013 com os codinomes "Cerrado" e "Aracati", apesar de o tratamento de Jucá nas planilhas ser "Caju".

Lúcio Vieira Lima, por sua vez, ficou com R$ 1,5 milhão em dois pagamentos registrados no dia 4 de outubro de 2013 sob o codinome "Bitelo". Os investigadores destacam que além deste repasse há o registro de doação oficial de R$ 400 mil para o parlamentar em 2014.

O pedido relata ainda tratativas para edição de medidas provisórias. A que trata do Regime Especial da Indústria Química resultou em crédito de R$ 100 milhões para o PT em negociação com Guido Mantega. Foram retratadas ainda negociações feitas em 2009 para a edição de outras duas MPs que beneficiaram a Odebrecht com Mantega e o ex-ministro Antonio Palocci. Nesse caso, houve até conversas do presidente do Conselho da Odebrecht, Emilio Odebrecht, com o ex-presidente Lula. Apesar de o pedido não detalhar qual teria a participação dos parlamentares nas MPs do ano de 2009 a investigação no STF abrangerá as três MPs.

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