BRASÍLIA - O presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissatti (CE), desafiou nesta terça-feira o presidente licenciado Aécio Neves (MG) a atender o apelo da ala governista do partido e o retirar do cargo. Ao ser questionado sobre decisão do grupo de governistas tucanos reunidos ontem em Brasília, de lhe enviar uma carta pedindo que se integre a ala majoritária ou entregue a interinidade para outra pessoa, Tasso primeiro disse que não considera a ala quer quer sua saída majoritária, depois disse que a solução é fácil: como presidente licenciado, Aécio pode pedir o cargo. Independente de Aécio reassumir ou não, Tasso disse que não sai do partido pelo qual lutou muito “desde os seus primórdios”.
— O que que é a ala majoritária? Eles que vão ao Aécio e digam: Aécio, tira o homem que ele não nos representa e provem que são majoritários. É tão fácil. Se não tivesse um presidente efetivo, tivesse que ir para a Executiva, ai seria mais complicado. No nosso caso é simplérrimo — disse Tasso.
Tasso disse estar consciente que é interino e que, para deixar a presidência e a interinidade, não precisa de nenhum tipo de articulação ou pressão. Diz ser um ato puro e simples do presidente efetivo .
— Não depende de mim e de mais ninguém. Só do presidente efetivo. Eu lidero um cargo interinamente. Enquanto estiver lá estou exercendo na plenitude — disse.
Sobre a reunião de ontem que teve a participação de ministros e do governador Marconi Perillo (GO) na casa do deputado Giuseppe Vecci (GO), Tasso disse que o governador de Goiás ligou para ele logo cedo para explicar que não tem nada ver com movimento de seu afastamento, que há um ruído de comunicação e apoia sua manutenção como presidente interino.
— Ele me telefonou hoje dizendo que não tem nada a ver com isso, não concorda com isso de maneira nenhuma. Não concorda com qualquer movimento e me apoia —contou Tasso.
Sobre deputados que estão ameaçando sair do PSDB se ele continuar na presidência, Tasso disse que independente de Aécio reassumir ou não, ele não sai do partido a quem dedicou a vida.
— Eu não saio. Aécio assumindo, não assumindo, eu não saio do partido. Eu fico no partido. Minha vida foi dedicada a esse partido, fui presidente do PSDB nos primórdios do partido e fui talvez o primeiro governador a eleger um governador do partido. Eu não saio desse partido. Se tiver alguma diferença a ser discutida a gente discute democraticamente, discute seus espaços e aí sim a maioria que resolve. Vamos debater, que é o que eu estou propondo desde o início o que estou propondo é um grande debate interno, com reeleição da executiva, do diretório, e do novo programa. E a maioria que predomina. Tranquilamente isso, nada mais que isso. Quando se fala em maioria a gente testa esses debates — disse Tasso.
Antes do almoço semanal que reúne a bancada no Senado e outras lideranças do partido, Tasso lembrou que , como presidente do PSDB, no início da década de 90, enfrentou um momento muito mais difícil que o enfrentado hoje, quando teve que desempatar a votação pela participação ou não no governo do ex-presidente Fernando Collor e o partido não saiu rachado. Agora diz que está propondo uma debate interno, com eleição de nova executiva, novo diretório nacional e a maioria decide.
— Eu passei por uma posição muito mais dura do que essa quando era a decisão do PSDB de entrar ou não para o governo Collor. O partido ficou dividido ao meio. Eu era o presidente. Sabe quanto que deu? Éramos 14 na Executiva e eu o presidente, de voto de desempate. Sabe quando que deu? 7 a 7. Ai eu decidi, pronto, e o partido em vez de sair rachado saiu fortíssimo e elegeu o Fernando Henrique presidente da República — lembrou.
Perguntado se o caso do ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, se enquadrava na situação mostrada no criticado programa de TV, do presidencialismo de cooptação, em que deputados são comprados pelo governo, Tasso diz que tem que perguntar para ele. Imbassahy foi fotografado no plenário, no dia da votação da denúncia contra o presidente Michel Temer com uma planilha de liberação de emendas parlamentares.
— Pergunte a ele. “Você está fazendo isso, menino?”. Se ele está fazendo errado contra um princípio fundamental do partido, que é contra o fisiologismo — sugeriu Tasso.
Sobre a carta da ala governista, Tasso disse que ainda não recebeu nada, nem foi procurado por Aécio para discutir seu possível afastamento.
— Medo de tirar? Nunca me falaram nada. Espero que venham falar comigo alguma coisa. Se estão falando por trás, venham falar pela frente. Nunca fui procurado. Nem nota, nem bilhete, nem cartão postal. Nem telefonema, nem Whatsapp — disse Tasso.

