BRASÍLIA — O senador Tasso Jereisati (CE) afirmou, nesta quinta-feira, que Aécio Neves (MG) não pensou no coletivo ao tomar a decisão de retirá-lo da presidencia do PSDB. Tasso afirmou que Aécio está “agarrado” ao cargo e o responsabilizou pela crise no partido. Após ser destituído do comando da legenda, ele se reuniu com aliados em seu gabinete no Senado.
— Aécio não está pensando no coletivo do partido há muito tempo. Está agarrado à presidência do PSDB sabendo que sua permanência não era boa para o partido. Se pensasse no partido não estaria agarrado e essa crise não estaria acontecendo — criticou Tasso.
Como fez na semana passada, antes de decidir destituir o presidente interino, Aécio tentou hoje novamente convencer o senador a tomar a iniciativa de renunciar, alegando que a disputa pela presidência do partido com o governador de Goiás, Marconi Perillo, ficaria desequilibrada. Tasso não aceitou e, numa conversa curta e muito ríspira, respondeu que só saía se Aécio o destituísse, para que suas diferenças ficassem bem marcadas.
Diante do incêndio provocado pela decisão de Aécio, já esperada por seus aliados, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, vão se reunir para intervir ainda nesta quinta para buscar uma saída. A possibilidade de Alckmin ser candidato à presdiência do partido, para evitar uma fratura ainda maior, voltou a se fortalecer. Outra possibilidade é o adiamento da convenção nacional, marcada para dezembro, para buscar uma pacificação do PSDB.
Na companhia de deputados aliados, Tasso começou sua fala brincando que estava desempregado. Em seguida, em tom grave, repetiu que o PSDB de Aécio não é o seu PSDB nem o de Mário Covas, Fernando Henrique ou Alckmin.
Ele contou que, nas conversas com FHC e Alckmin, ois dos se mostraram surpresos com a decisão de Aécio, mas ressaltou que acha difícil que eles possam fazer alguma coisa para arrumar a confusão.
— Não tem o que mediar — disse Tasso.
Segundo o senador cearense, o problema do racha interno não é de nome, dele ou de Marconi Perillo, mas das ideias.
— Certas posições podem ser irreconciliáveis — disse Tasso, repetindo que “esse PSDB desses caras não é o meu PSDB”.
Já o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), disse que aliados de Tasso estão divulgando uma versão mentirosa da “perplexidade” de Fernando Henrique Cardoso, já que Aécio conversou com ele antes e depois de comunicar sua decisão, e ele concordara que a melhor saída era mesmo deixar o ex-governador Alberto Goldman no comando do PSDB até a convenção.
— Engraçada essa versão que estão espalhando que Fernando Henrique ficou perplexo. Aécio conversou com ele antes e agora a tarde. Fernando Henrique deixou bem claro que Goldman iria prestar um grande serviço pacificando o partido, o que Tasso não estava conseguindo, que ele não iria buscar a unificação , tem sido hostil com todos que não concordam com ele . E já tivemos notícias que ele, como presidente, estava intervindo nos diretórios do Maranhão e Bahia, já não mostrava a imparcialidade na disputa — disse.
Sávio ainda disse que Tasso quer expurgar parte do PSDB que não concorda com ele.
— Será que o Tasso quer presidir metade do PSDB? — questionou.

