BRASÍLIA - O presidente Michel Temer comemorou o resultado em telefonema com líderes aliados na Câmara. A conversa ocorreu assim que o parecer de Sergio Zveiter ter sido derrotado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE), disse que foi uma vitória muito importante e que agora o governo não tem pressa de votar a matéria no plenário. O ônus será da oposição, que é quem precisa colocar 342 em favor da denúncia,
— O presidente estava satisfeito e feliz, Foi uma vitória importante, elástica, mostra uma consolidação da base. Foi uma vitória maiúscula — disse André Moura.
O presidente assistiu à votação em seu gabinete ao lado dos principais ministros, entre eles Eliseu Padilha (Casa Civil) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), e com alguns deputados da base. Ao ver o resultado, o peemedebista ficou "muito feliz".
— Foi tudo dentro do previsto, sem nenhuma surpresa, o que é bom - afirmou um integrante do governo.
A avaliação de interlocutores do presidente é de que a votação deverá mesmo ficar para agosto, já que, sem a presença da oposição, o governo não tem como garantir o quorum no plenário da Câmara nos próximos dias. Muitos deputados já estão viajando ou com passagem marcada, o que deve mesmo adiar a votação. Apesar de não ser o ideal, já que o governo quer liquidar o assunto o mais rápido possível, governistas afirmam que os votos pró-Temer já estão consolidados e que não mudarão de hoje para agosto.
— Agosto não tem potencial negativo porque o governo tem os votos, esse movimento de adiar é porque a oposição não tem votos. Mas o governo, sozinho, não tem como remediar a manobra da oposição nesse momento - admitiu um assessor do Planalto:
— Os votos que o governo tem continuará a ter — afirmou esse interlocutor.
Apesar de alguns governistas admitirem que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), poderia ter definido um rito mais célere, também não ficaram irritados com a postura de Maia. Pessoas ligadas a Temer admitem que o presidente da Câmara tem "justificativa regimental", já que há uma interpretação de que a votação em plenário só pode começar quando o quorum chegar ao número mínimo necessário para aprovar a matéria. No caso da denúncia, a oposição precisa de 342 votos para que a denúncia contra Temer prossiga.
— Maia tem justificativa regimental, está tudo certo — disse um ministro.
Por meio do porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, Michel Temer disse que recebeu a notícia da vitória na CCJ com "a tranquilidade de quem confia nas instituições brasileiras". O presidente também agradeceu à base aliada no Congresso e disse que há uma "sólida maioria" de parlamentares que "defendem a democracia".
— O presidente recebeu a noticia com a tranquilidade de quem confia nas instituições brasileiras. O resultado hoje alcançado deixa claro que é sólida a maioria dos que defendem a democracia, os direitos constitucionais e o estado de direito — afirmou Parola.
Temer elogiou ainda a "coragem cívica" de cada deputado que votou com o governo e afirmou que o governo venceu com mais de 60% dos votos. Ele aproveitou para enaltecer as reformas e disse que "o país tem rumo".

