BRASÍLIA - Em novas gravações que poderão anular a delação da JBS, porque indicam possível omissão de informações, o executivo do grupo Ricardo Saud afirma que o ex-deputado Valdemar da Costa Neto, cacique do PR condenado no mensalão, recebia propina da Odebrecht no exterior. Ele disse que obteve a informação do "amigo Antonio Carlos", sem especificar se estava se referindo a Antonio Carlos Rodrigues, presidente do PR. Saud criticou os pagamentos "em paraíso fiscal" por serem arriscados e defendeu "tudo oficial".
Na conversa travada com o patrão, Joesley Batista, Saud narra um encontro com o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) e alguém identificado como Quintella, possivelmente Maurício Quintella, atual ministro dos Transportes. Segundo o executivo, os dois foram ao escritório dele para discutir um repasse de recursos e falaram sobre a forma de pagar escolhida pela Odebrecht.
— Eles falaram que a Odebrecht estava pagando por fora no paraíso fiscal (...) Eu falei: oh, não pega dinheiro da Odebrecht. O Antonio Carlos veio aqui e me contou que estão pagando lá no exterior, e o Valdemar Costa Neto está recebendo no exterior. Não faça isso. Pode pedir tudo para nós aqui que a gente paga tudo aqui — disse Saud.
Em seguida, Saud revela seu temor com a forma de pagamento e conclui:
— Onde eu acho que o nosso amigo Antonio Carlos vai cair.
Saud contou que, na reunião com Eduardo da Fonte e Quintella, foram discutidos repasses ao grupo, que chegaram a "45", numa referência a R$ 45 milhões. Primeiro, segundo ele, eram "25", depois mais "20", totalizando "45". Em um trecho do áudio, Saud afirma ter mostrado algo para os políticos relacionado a R$ 38 milhões, enfatizando que as transferências foram feitas de forma legal:
— Vocês vão cair de costas. Mostrei (...) tinha 38 milhões, tudo oficial.

