Ações de distribuição de comida atraem um número cada vez maior de refugiados em Boa Vista, capital brasileira mais próxima à fronteira com a Venezuela. Em um café da manhã, as filas chegam a dobrar o quarteirão e uma entrega de sopa provoca correria. Famintos, venezuelanos que fugiram de um país afundado em uma complexa crise econômica e social se acotovelam para ganhar comida.
Segundo o G1 Roraima, enquanto viraliza um vídeo do presidente Nicolás Maduro se fartando com churrasco e charuto em um restaurante de luxo em Istambul, centenas de venezuelanos se aglomeram para receber pão e suco doado pelas Irmãs Missionárias da Consolata, no Centro de Boa Vista. A fila, que começou ainda ao amanhecer dessa quarta-feira (19), às 7h40 já dobrava o quarteirão.
Procurada, a operação Acolhida, que atende os estrangeiros que chegam ao Brasil, informou que a alimentação dos abrigos que mantêm em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e ONGs é regular. Três vezes ao dia há café, almoço e jantar nos 10 abrigos para venezuelanos sem teto no estado - 9 em Boa Vista e 1 em Pacaraima.
Em termos numéricos, a quantidade de venezuelanos que foge para o Brasil é irrisória. O fluxo diário na fronteira é de 500 pessoas, mas ficam no Brasil só 2% dos 2,3 milhões que fogem do país em razão da crise que se agravou em 2015, segundo a Organização Internacional para Migrações (OIM).

