Início Economia Bolsa sobe 6% em março e tem primeiro mês positivo do ano
Economia

Bolsa sobe 6% em março e tem primeiro mês positivo do ano

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Depois de uma queda de 7,5% entre janeiro e março, o Ibovespa teve o seu primeiro mês positivo de 2021, com alta de 6% —melhor março desde 2016, reduzindo o recuo do principal índice brasileiro da Bolsa brasileira no ano para 2%. Com a recuperação, a Bolsa superou os principais ativos de renda fixa e o investimento em dólar e euro no mês. Nesta quarta (31), o Ibovespa teve leve queda de 0,18%, a 116.633,72 pontos. O mês, porém, foi marcado por recordes em mortos pela Covid-19, falta de vacinação em massa, lockdown em algumas cidades, volta de Lula ao páreo eleitoral e resquícios no mercado da intervenção do governo na Petrobras. "Vivemos não é de agora uma instabilidade política que atrasa as medidas eficientes de combate a pandemia, se é que podemos dizer que existem no Brasil", diz a equipe da Toro Investimentos em relatório. Segundo a corretora, a queda da Bolsa nos primeiros meses do ano foi uma antecipação do que vivemos em março. "A crise que se instaurou no Brasil é fruto do crescimento da segunda onda da Covid-19, retorno ao lockdown e consequente a desaceleração da retomada econômica." Por outro lado, entre agentes financeiros cresce a percepção de que o ritmo de vacinação tende a ganhar tração, com novos contratos assinados pelo governo brasileiro, além de um tom mais pró-vacina em Brasília. Nas primeiras declarações após assumir o Ministério da Saúde, Marcelo Queiroga prometeu mais do que triplicar o ritmo de vacinação em breve, para mais de 1 milhão de doses por dia. Enquanto a pandemia no Brasil se agravou, o mercado de ações local seguiu o desempenho de pares globais nos Estados Unidos e na Europa, onde a vacinação ganha força. Em Wall Street, o índice Dow Jones subiu 6,62% em março. O S&P 500 teve alta de 4,24% e o Nasdaq, de 0,41%. O Stoxx 600, que reúne as maiores empresas europeias, subiu 6,08% no período. Os pacotes trilionários do governo Joe Biden nos EUA, combinados a taxas de juros baixas no país, independente de uma possível alta na inflação, levaram investidores a precificarem uma recuperação mais forte da maior economia do mundo, impulsionando um ciclo de tomada de risco em março. Por outro lado, a expectativa por um aumento dos preços levou o rendimento dos títulos do Tesouro americano a registrarem fortes altas no mês. Outro ponto positivo para o mercado brasileiro no mês foi a divulgação de balanços de empresas referentes a 2020 que superaram as expectativas do mercado. No Brasil, a alta de 0,75 pontos na Selic, que foi a 2,75% ao ano neste mês, amenizou a desvalorização do real. O dólar, que ganhou força internacional no período, acumulou alta de 0,48% em março e sobe 8,5% em 2021. Já o euro caiu 0,34% em relação ao real em março, segundo dados da Economatica, a R$ 6,61. Dentre moedas emergentes, o real tem o terceiro pior desempenho neste ano, atrás apenas da lira turca e do peso argentino. A desvalorização da moeda da Turquia após mudanças no banco central do país, que deve levar a quedas nos juros locais, e a dificuldade da Argentina em quitar sua dívida com o FMI (Fundo Monetário Internacional) também contribuíram para a desvalorização do real em março. Nesta quarta, a moeda americana teve forte queda de 2,24% no mercado brasileiro, a R$ 5,6290. O dólar turismo está a R$ 5,7930. O recuo é fruto do desmonte de posições em meio à correção da moeda no exterior e a ajustes ligados à formação da Ptax (taxa de câmbio calculada pelo Banco Central com base na média do mercado) de fim de mês. Além disso, investidores repercutiram a decisão do senador Marcio Bittar (MDB-AC), relator-geral do Orçamento, de cancelar as emendas de sua autoria, num total de R$ 10 bilhões, assim que a Lei Orçamentária de 2021 for sancionada. O mercado teme que o Orçamento de 2021 não respeite o teto de gastos. Por conta das incertezas fiscais, o Bradesco elevou nesta quarta sua expectativa para o dólar ao fim de 2021, de R$ 5,30 para R$ 5,60. Já o UBS BB elevou a projeção para o dólar de R$ 4,95 para R$ 5,30. "Esperamos que as condições financeiras se tornem menos amigáveis para os emergentes no segundo semestre, e o ponto de partida para o real enfrentar esse ambiente externo mais desafiador no segundo semestre provavelmente dependerá do progresso da agenda de reformas", disse Fabio Ramos, economista do UBS BB, em nota. A equipe de estratégia do Credit Suisse no exterior avalia que o dólar testará patamares em torno da faixa de R$ 5,87 a R$ 5,97. Algumas casas têm um cenário ainda mais pessimista para o real. Caso do Société Générale, que prevê dólar de R$ 6,20 ao término do segundo trimestre, por "fracos elementos domésticos" e "ambiente externo menos favorável". RENDA FIXA Apesar da alta na taxa de juros, a Selic ainda segue em um patamar baixo, o que deixa a renda fixa pouco atrativa e, na maioria dos casos, com um desempenho abaixo da inflação. Em março, a poupança nova (depósitos a partir de maio de 2012) teve um rendimento de 0,12%. Já os títulos do Tesouro atrelados à inflação (IPCA+) tiveram rendimento negativo de, em média, 3% no mês. Isso acontece porque o valor dos títulos se desvaloriza à medida que os juros futuros sobem.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?