SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Como o Panamá decide que abandonar os planos da China seria melhor neste momento, aposta de Rubens Ometto em biocombustíveis pode custar caro demais e outros destaques do mercado nesta sexta-feira (7).
**PANAMÁ ESCOLHE UM LADO**
O Panamá anunciou ontem o cancelamento do acordo econômico que tinha firmado para ser parte da Nova Rota da Seda, projeto global chinês, por livre e espontânea pressão de Donald Trump e aliados.
A maior preocupação dos republicanos é o aumento da influência chinesa na gestão do Canal do Panamá, uma das regiões mais importantes para o comércio global: ele barateia o transporte de produtos entre os oceanos Pacífico e Atlântico.
ENTENDA
A Nova Rota da Seda ou Belt and Road, em inglês, termo que você pode acabar lendo por aí é uma iniciativa do governo chinês para facilitar o comércio com o resto do mundo.
Ela envolve o investimento em grandes obras de infraestrutura em países, em sua maioria, da África e da América Latina.
A China coloca dinheiro na construção de portos, ferrovias, rodovias, e, em troca, aumenta sua influência na região e facilita o comércio entre os países.
A China no Panamá. Quem atua de forma mais próxima perto do canal é o conglomerado de Hong Kong CK Hutchison Holdings.
Uma de suas subsidiárias, a Hutchinson Ports, opera os dois maiores portos nos arredores: o Balboa, que desemboca no Pacífico, e o Cristóbal, no Atlântico.
39% dos contêineres que passaram pelo canal em 2024 foram atendidos por embarcações e veículos da companhia, segundo a Autoridade Marítima do Panamá.
Ainda que a empresa seja de Hong Kong, e não da China continental, e os regimes administrativos sejam (um pouco) diferentes, o governo Trump teme que Pequim use sua influência sobre o território para tomar mais controle do Canal do Panamá.
↳ A treta entre China e Hong Kong é um caso à parte. Se quiser entender o assunto melhor, leia esta reportagem.
OS EUA NO PANAMÁ
Os americanos construíram e controlaram o canal até 1999. As relações entre os dois foram muito próximas até então, momento em que o país latino começou a andar mais com as próprias pernas.
Agora, Trump quer retomar a influência de outrora. Já disse algumas vezes que deseja recuperar o controle da infraestrutura e afastar os chineses da empreitada.
Há quatro dias, o chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, visitou o presidente panamenho, José Raúl Mulino, para abordar o assunto.
**CANA AMARGA**
Dá para dizer que investir em energia mais sustentável é um erro? Nada é cravado em pedra, mas podemos avaliar como esse investimento foi feito.
O bilionário Rubens Ometto, dono do grupo Cosan, apostou muito no etanol de segunda geração (E2G), e investimento pode não dar os frutos esperados.
O E2G é um biocombustível produzido a partir dos restos da produção de açúcar e etanol, por isso, de segunda geração.
BONECA RUSSA
A Raízen é uma joint-venture da Cosan com a Shell. Nesse tipo de negociação, duas empresas se unem para criar uma terceira, que, em geral, executa uma atividade específica onde elas se complementam.
Neste caso, a terceira nasceu para que os grupos maiores pudessem investir em biocombustíveis de primeira e segunda geração.
Hoje, a Raízen é a maior processadora de cana-de-açúcar do mundo.
Endividamento. Novidades exigem muito investimento, e foi o que Ometto fez. Para entrar em um negócio que estava despontando.
A dívida nominal do grupo atingiu um nível recorde de R$ 49,8 bilhões em setembro de 2024, segundo levantamento da S&P Global.
Mudança de cenário. Pela pegada de carbono menor, a Raízen acreditou que conseguiria um bônus na venda de seu etanol para os EUA e Europa. Ou seja: apostando na transição energética, o mercado pagaria mais por um combustível mais limpo.
No entanto, não emplacou nem na Europa, que é mais engajada no assunto.
Agora, a taxa Selic está alta e continuará aumentando (hoje, 13,25%, mas pode terminar o ano em 15%), o que pressiona as dívidas do grupo.
A chegada de Trump à Casa Branca também não ajuda: o republicano afirmou repetidas vezes que quer desfazer investimentos em energia sustentável e incentivar o uso de combustíveis fósseis na matriz energética.
O REFLEXO NA BOLSA
As ações da Raízen perderam 21,76% do valor de janeiro até esta semana. Em 12 meses, as perdas chegam a 54,93%.
Ontem as ações subiram 8,28%, com investidores apostando na capacidade da companhia de reverter o endividamento.
**BRIGANDO POR CABEÇAS**
Uma briga inusitada tomou conta do noticiário nos últimos dias: uma guerra de bonés.
No campo dos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), os acessórios trazem os dizeres comida barata novamente - Bolsonaro 2026. No campo do atual mandante, Lula (PT), os bonés dizem o Brasil é dos brasileiros.
Deixando os bonés para trás, vamos olhar para a pergunta: a comida era realmente mais barata de 2019 a 2022, no mandato de Bolsonaro?
NÃO
Nos quatro anos de liderança do político, o aumento do preço dos alimentos no país superou a média geral da inflação em 3 dos 4 anos e nunca ficou abaixo dos 6%. No último ano sob Bolsonaro, chegou a quase 12%.
Olhando para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), o grupo de Alimentos e Bebidas registrou inflação acima de 6% em 2019, enquanto os índices gerais não ultrapassaram 4,5%.
O IPCA mede a inflação abrangendo as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos. O INPC, de 1 a 5 mínimos.
O maior vilão da época foi a carne.
A pandemia levou os indicadores a 14% em 2020. Em 2022, com o fim da emergência de saúde, o aumento nos alimentos foi de 12%, versus 6,5% no indicador geral.
MAS...
A inflação dos alimentos também pressiona a renda dos brasileiros no mandato de Lula.
Em 2023, o IPCA e o INPC de alimentos e bebidas fecharam o primeiro ano de Lula 3 em 1,03% e 0,33%, respectivamente, bem abaixo dos indicadores gerais da inflação, que ficaram em 3,71% (INPC) e 4,62% (IPCA).
Já 2024 o preço dos alimentos voltou a subir bastante, em especial carnes, café e leite longa vida, o que empurrou o tema para o presidente, que cobrou de seus ministros medidas para barateamento dos produtos.
O alto nível de preços da comida ofusca o impacto do aumento da renda dos brasileiros, o que acaba complicando uma recuperação do poder de compra.
Tocando no assunto Lula pediu ontem que os brasileiros não comprassem alimentos muito caros.
"Se você vai num supermercado aí em Salvador e desconfia que tal produto está caro, não compra. Se todo mundo tiver essa consciência e não comprar aquilo que acha que está caro, quem está vendendo vai ter que baixar, disse.
**PARA VER**
Vinagre de Maçã
Netflix. Uma temporada, seis episódios.
Uma jovem de vinte e poucos anos descobre um tumor maligno no cérebro, com alta probabilidade de ser fatal. Em vez de procurar os tratamentos convencionais, decide testar terapias alternativas e acaba curada do câncer.
Assim começa a minissérie que conta a história de Belle Gibson, uma influenciadora que ganhou fama e dinheiro quando o mercado de blogueiras de Instagram engatinhava meados de 2013.
Em um aplicativo e nas suas redes sociais, dava fórmulas mágicas e naturais para se livrar de problemas graves, como o tal câncer. O castelo de cartas eventualmente caiu e ela perdeu o prestígio mas, até lá, mexeu com o mercado.
**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**
Tá com saudade da sua lata velha? A Chevrolet dá nova vida a modelos como o Monza, o Opala e o Chevette.
Sim, o seu cafézinho está ficando mais caro. Mas o aumento está chegando aos poucos: primeiro no campo, depois nos mercados e, por último, nas padarias.
A Amazon está sem freio e duplicou os lucros no quarto trimestre de 2024. A meta agora é investir bilhões em nuvem e IA.
Os ovos estão mais caros do que nunca nos EUA, o que fez com que 100 mil deles fossem roubados.

