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Crédito ficou mais barato com quedas recentes da Selic, mas inadimplência pressiona rotativo do cartão

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter novamente a Selic em 10,50% ao ano nesta quarta-feira (31), esticando o fim do ciclo de quedas de juros iniciado em agosto de 2023, quando a taxa estava em 13,75%. Apesar da pausa, o conjunto das reduções promovida pelo Banco Central desde o ano passado já representa uma economia significativa em operações de crédito tanto para as empresas como para a pessoa física.

Segundo cálculos da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), as taxas de juros do comércio, cheque especial e empréstimos pessoais em bancos e financeiras registraram recuo, enquanto a taxa do cartão de crédito rotativo aumentou.

"Isoladamente, cada uma dessas quedas não tem um impacto muito grande. Mas quando você vê todo o contexto, ela é importante", diz Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor executivo da Anefac.

"Entretanto, vale ressaltar que a Selic estava em 2% [em 2022] e, agora, está em 10,50% ao ano. Então nós não recuperamos, não voltamos ainda às taxas que estavam lá atrás", afirma.

A Anefac fez simulações sobre o efeito da Selic no dia a dia do consumidor no período de agosto de 2022 (quando a taxa foi a 13,75%) a junho de 2024 (quando foi mantida em 10,50%), considerando as principais modalidades de crédito usadas pelos brasileiros: compras a prazo no varejo, cartão de crédito, cheque especial, crédito direto ao consumidor para a compra de veículos e empréstimo pessoal em bancos e financeiras.

Para financiar uma geladeira no valor de R$ 1.500 em 12 meses, por exemplo, a taxa mensal de juros caiu de 5,32% para 5,16%, resultando em uma redução de R$ 1,54 na parcela mensal e uma economia total de R$ 18,45 no valor pago.

Para o cheque especial, a taxa mensal diminuiu de 7,98% para 7,70%, o que representa uma economia de R$ 1,87 para uma utilização de R$ 1.000,00 por 20 dias.

Já a taxa para financiar a compra de um carro de R$ 50 mil variou quase 10%, rendendo uma economia de mais de R$ 3.700.

Os empréstimos pessoais em bancos e financeiras também foram afetados pela queda da Selic.

Em bancos, a taxa mensal caiu de 4% para 3,70%, reduzindo o total pago em um empréstimo de R$ 5.000 em 12 meses de R$ 6.393,13 para R$ 6.282,34. Nas financeiras, a taxa mensal caiu de 7,22% para 6,82%, diminuindo o total pago em um empréstimo de R$ 500,00 em 12 meses de R$ 764,29 para R$ 748,18.

As taxas de juros para pessoas jurídicas também apresentaram variações entre agosto de 2022 e junho de 2024. A taxa de capital de giro caiu de 1,82% para 1,76% ao mês. O desconto de duplicatas passou de 1,91% para 1,66% ao mês, e a conta garantida reduziu de 7,82% para 7,52% ao mês.

Na contramão, a taxa do cartão de crédito rotativo aumentou de 13,96% ao mês (379,77% ao ano) para 14,30% ao mês (397,23% ao ano), uma elevação de 2,44% ao mês e 4,60% ao ano. Segundo Oliveira, resultado da alta inadimplência.

Durante a pandemia, muitas pessoas perderam renda e emprego, o que levou ao aumento da inadimplência nos cartões de crédito, por isso os bancos elevaram as taxas de juros da modalidade. Entretanto, diz Oliveira, nos últimos meses, a taxa de juros do cartão de crédito tem caindo gradualmente.

O rotativo é a linha de crédito mais cara do mercado, com juros superiores a 400% ao ano, e recomendada por especialistas apenas em casos emergenciais.

Pela nova regra, em vigor desde 3 de janeiro deste ano, a dívida de quem atrasa o pagamento da fatura do cartão de crédito não pode mais superar o dobro do montante original. Ou seja, a taxa de juros terá um teto de 100% do valor da dívida contraída.

Principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação, a Selic afeta o custo de quase todo produto e serviço no país.

O Copom começou a subir os juros em março de 2021 e o ciclo de alta se estendeu até agosto de 2022. Após meses de manutenção da Selic, a autoridade monetária começou o ciclo de baixa em agosto do ano passado.

Apesar das reduções, a taxa continua posicionando o Brasil na segunda posição do ranking de maiores juros reais do mundo.

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