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Decisão do governo sobre conteúdo local desagrada indústria nacional

RIO - Representantes da indústria nacional criticaram a decisão do governo de reduzir em 50% o índice de conteúdo local. Para eles, é um erro juntar o fornecimento de serviço e de bens equipamentos dentro de uma única cota.

Na avaliação de José Ricardo Roriz, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e porta-voz do Movimento Produz Brasil, que reúne diversas entidades da indústria e trabalhadores, os novos índices de conteúdo local trazem insegurança para a indústria nacional. Segundo ele, segmentos como o de aço, máquinas e equipamentos, eletroeletrônicos e estaleiros serão seriamente afetados. Como resultado, haverá ainda mais desemprego.

—A sinalização é que as petroleiras vão poder comprar os equipamentos aqui ou no exterior. Essa mudança atendeu apenas aos interesses dos produtores de petróleo. Não será bom para o país — disse Roriz.

Roriz admite que a decisão do governo não veio dentro do esperado pela indústria após meses de negociações em Brasília. Ele critica o fato de a nova política de conteúdo local não ter criado alíquotas específicas para serviços e para bens e equipamentos.

— A consequência disso é que as petroleiras vão usar o serviço que tem um custo menor e a fabricação de equipamentos, que exigem tecnologia, e maior valor agregado, serão feitos no exterior. O Brasil vai continuar vendendo matéria-prima e importando valor agregado — apontou Roriz.

O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Jose Velloso, também fez duras críticas às novas regras de conteúdo local. Ele criticou a criação de uma única cota para serviços e equipamentos.

— Em exploração de águas profundas, o novo conteúdo local será de 18%, e isso será atendido só com serviços. Quando se olha toda a fase de exploração, o conteúdo local de serviços é de 60%. Na fase de produção, uma plataforma de petróleo tem conteúdo local de 50% só com serviços, que são, por exemplos, as embarcações de apoio. E agora com a nova política, o índice geral é de 25%. E o mesmo ocorre com coleta e escoamento, que são os equipamentos submarinos. A geração de empregos está localizada na indústria com mais força. Num campo de petróleo quase tudo é robô — destacou Velloso.

Com isso, ele diz que o governo acabou cedendo à pressão da Petrobras e das outras petroleiras. Afirmou ainda que o Brasil deixa de seguir o modelo do Mar do Norte, onde a política de conteúdo nacional desenvolveu a indústria local, para se espelhar em países como Venezuela, Nigéria e Angola, onde não há indústria.

— O petróleo não traz riqueza. A indústria nacional ficou a ver navios. Na quinta-feira, a indústria vai se reunir e fazer um documento que será entregue ao governo com seus pleitos — afirmou Velloso.

Do outro lado, o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) disse em nota que as regras “representam uma importante simplificação e adequação à capacidade de fornecimento da indústria nacional e vão colaborar para destravar investimentos, gerar empregos e estimular maior competição na 14ª rodada de licitações de blocos".

Para o IBP, a definição de índices globais por segmentos representa um avanço frente ao modelo atual. “Acreditamos que traz uma sinalização de que se persegue o caminho de maior atratividade para os projetos futuros".

O executivo de uma petroleira, que não quis se identificar, disse que a regra vai estimular o desenvolvimento do setor no país:

— Não significa que as empresas vão se ater ao novo conteúdo. Na prática, esse índice pode ser até maior.

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