RIO - O dólar comercial opera em alta nesta segunda-feira, consequência do desconforto dos investidores com o quadro fiscal do país e da continuidade da tensão entre EUA e Coreia do Norte. A moeda avança 0,50% contra o real, cotada a R$ 3,191 para venda. Na máxima da sessão, chegou a valer R$ 3,207. Na B3 (antiga Bovespa), o índice de referência Ibovespa opera em alta de 0,77%, aos 67.878 pontos.
— Embora a tensão entre EUA e Coreia do Norte siga incomodando, o cenário doméstico é o que mais influencia nos negócios hoje. Os principais pontos são a TLP e a definição de novas metas fiscais. Na sexta-feira, o rumor de que a TLP não seria aprovada gerou muito tumulto, com os investidores temendo o efeito disso nas contas do governo. Hoje, o que se comenta é que ela vai ser aprovada, mas isso ainda não é uma certeza. No que diz respeito aos déficits, a grande preocupação do mercado financeiro é que o Henrique Meirelles possa deixar o governo após o aumento das metas, algo que ele, até agora, se mostrou contrário — afirmou Jaime Ferreira, superintendente de câmbio da corretora Intercam.
De acordo com Ferreira, as metas com rombos maiores vão levar diretamente à piora do perfil de crédito do Brasil:
— Se isso acontecer, com certeza sofreremos mais um rebaixamento da nota do país pelas agências de classificação de risco.
O presidente Michel Temer , em cada ano, aumentando o rombo nas contas públicas. Temer se reuniu com ministros das áreas política e econômica e os presidentes do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).
Temer recebeu apoio para medidas fiscais, mas teve que ouvir da área política que não há espaço para aumento de impostos. Segundo participantes do encontro, o déficit será o mesmo de 2016, ou seja de R$ 159 bilhões. Para 2017, a elevação é de R$ 20 bilhões porque a meta original é de R$ 139 bilhões. Para 2018, a elevação é de 30 bilhões, porque a meta projetada seria de R$ 129 bilhões.

