BRASÍLIA — O presidente do conselho e sócio majoritário da Odebrecht, , anunciou na manhã desta sexta-feira que deixará o cargo. O comunicado foi feito em uma reunião realizada em Salvador (BA) para cerca de 150 executivos da empreiteira. Apesar do anúncio ser feito agora, a ideia é que Emílio deixe a empresa somente na assembleia de acionistas, marcada para abril, quando as contas são debatidas e aprovadas. O executivo não anunciou quem irá sucedê-lo.
Emílio, que foi presidente da empresa de 1991 a 2002, já estava afastado do dia a dia da Odebrecht há mais de dez anos e morando em Salvador. No entanto, se viu obrigado a reassumir o comando da empresa após o filho, Marcelo, ser preso em junho de 2015 na Operação Lava-Jato. Na época, Marcelo presidia o grupo baiano.
Em seu discurso, o executivo afirmou que a empresa reconheceu seus erros, mudou e está "virando a página" e agradeceu ao filho Marcelo, ex-presidente do grupo que deixa a prisão na próxima semana depois de de dois anos e meio detido em Curitiba.
— Agradeço também a Marcelo, que agora volta ao convívio familiar, por sua coragem, sua determinação, e pelo mesmo espírito de colaboração junto à justiça. Desejo que Marcelo construa um novo e promissor futuro, para o que contará com todo o meu apoio, e, com certeza, com o apoio dos seus ex-companheiros da Odebrecht.
Pai e filho estão rompidos há cerca de um ano, devido às tratativas da delação premiada da Odebrecht. Marcelo se sente injustiçado, acredita que não foi defendido por Emílio e que o patriarca ajudou a colocar na sua conta mais crimes do que cometeu. Por causa da briga, o empresário só visitou o filho duas vezes na prisão.
No começa da semana, que controla as empresas do grupo. O comunicado veio a uma semana da saída de Marcelo e tem entre os objetivos blindar a empresa de seu retorno.
Em quase uma hora de discurso Emílio afirmou que "precisamos agora focar no futuro, que se constrói no presente”.
— Estamos atravessando os momentos finais da mais aguda e duradoura crise que jamais enfrentamos. Crise tão profunda que nós não podemos perder a oportunidade de aprender com ela, e sairmos mais unidos e mais fortalecidos.
O executivo disse que os desafios agora "não mais são internos":
— Internamente, nos conscientizamos, nos preparamos, nos capacitamos, e continuaremos aperfeiçoando e atualizando os nossos instrumentos e as nossas práticas. Nossos desafios agora são externos. Precisamos construir mercados autossustentáveis. A retomada e a continuidade do nosso crescimento e o nosso futuro dependem da capacidade que tivermos para influenciar a construção de mercados que se sustentem no tempo.
O patriarca também foi um dos 77 executivos da empreiteira que firmaram acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Na negociação, porém, ficou acertado que antes de cumprir a pena de quatro anos ele teria dois anos de anistia, a partir da assinatura do acordo, para fazer a transição de lideranças da empresa.
Emílio decidiu não usar todo esse tempo e saiu um ano após se tornar colaborador. Quando a sua pena for executava pelo juiz, ele cumprirá os dois primeiros anos em prisão domiciliar no regime semiaberto, quando deverá se recolher em casa à noite. Os dois anos restantes da pena serão cumpridos em regime aberto, quando ele deverá estar em casa nos finais de semana. Emílio usará tornozeleira eletrônica nesse período.
Com a decisão, a empreiteira tenta se proteger de intervenções de familiares na administração e também de um eventual retorno do próprio Marcelo, que irá cumprir prisão domiciliar a partir da próxima semana.

