CARACAS - As medidas econômicas implementadas na segunda-feira pelo governo do presidente Nicolás Maduro colocam uma camisa de força no fluxo de caixa das empresas privadas pelo oneroso que representa o pagamento do aumento salarial de 3.400% a partir de 1º de setembro, além da elevação da carga tributária, afirmaram federações empresariais.
“O aparato produtivo está em grave risco de quebra pela forma como estão sendo implementadas as medidas”, afirmou o presidente da Fedecámaras (Federação de Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela), Carlos Larrazábal, que leu o comunicado em uma entrevista coletiva nesta terça-feira da qual participaram outros dirigentes empresariais.
Ele alertou que as medidas governamentais “aumentarão a instabilidade na economia” e indicou que elevar os salários é necessário, mas que a porcentagem de 3.400% não é manejável em uma economia em forte depressão.
O pacote econômico também gerou protestos por parte da população em geral. Em Caracas, muitas lojas permaneceram fechadas nesta terça-feira, atendendo a uma convocação de greve geral por parte da oposição ao governo de Maduro.
Há estabelecimentos, entretanto, que seguem com as portas fechadas, segundo cartazes na porta, ainda por causa da conversão para a nova moeda.
Em Los Teques, no estado de Miranda, pessoas marcharam pela avenida Bermúdez com cartazes criticando as medidas do presidente. Em fotos publicadas pelo jornalista Daniel Murolo, lê-se “Pacotaço vermelho. Maduro é fome”. Também nessa área, os estabelecimentos comerciais ficaram fechados.
Já no estado de Mérida, pessoas queimaram pneus para bloquear o tráfego na avenida Cardenal Quintero. Segundo um jornalista presente no ato, a Guarda Nacional Bolivariana, o Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional e a Polícia Nacional Bolivariana dispersaram o protesto.
Mesmo após a atuação das forças governamentais, alguns manifestantes continuaram o ato, mas passaram a protestar na calçada, seguravam uma faixa com a hashtag #YoMeNiegoARendirme (eu me nego a render-me, em espanhol).
Também em Mérida, notas de 500 bolívares fortes, que saíram de circulação ontem, apareceram no chão do Viaduto Campo Elías. E muitos cidadãos foram vistos recolhendo as cédulas, agora já sem valor.

