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Governo critica BC por ritmo gradual de alta de juros

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) O ritmo gradual adotado pelo Banco Central para elevar a taxa básica de juros, a Selic, tem sido alvo de críticas no Ministério da Economia diante da escalada da inflação, que acumula alta de 11,30% em 12 meses --o maior patamar desde outubro de 2003 (13,98%).

A inflação tem sido vista dentro da própria ala política do governo como um fator negativo para a campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) à reeleição neste ano.

Enquanto o governo é alvo constante de alertas da autoridade monetária pelos riscos do lado fiscal, um integrante da equipe econômica ouvido pela Folha ressalta que o BC passou boa parte de 2021 com juros reais negativos (taxa nominal abaixo da variação da inflação), o que acaba estimulando o aquecimento da economia e abre caminho para aceleração dos preços.

Na avaliação dessa fonte, houve um "pequeno cochilo" do Banco Central, que teria sido mais eficaz se tivesse optado com um choque mais duro nos juros para conter a alta da inflação.

Enquanto isso, a autoridade monetária tem buscado jogar os holofotes sobre o fiscal, o que tem incomodado a equipe econômica.

A Selic permaneceu na mínima histórica de 2% ao ano entre agosto de 2020 e março de 2021, após o Copom (Comitê de Política Monetária) ter cortado a taxa de juros para reanimar a economia em resposta à crise provocada pela pandemia da Covid-19.

No ano passado, o BC iniciou o ciclo de aperto monetário, mas em ritmo gradual, com elevações de 0,75 ponto porcentual. Esse ritmo foi subindo à medida que a inflação foi dando sinais de que resistia à tentativa de controle pela autoridade monetária.

Mesmo assim, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulou variação de 10,06% em 2021, estourando a meta de 3,75%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo.

Neste ano, o mercado já prevê novo estouro da meta, o que levará o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a escrever uma carta com suas justificativas para o descumprimento.

Na avaliação da fonte da equipe econômica, o BC está demasiadamente preocupado em comunicar sua estratégia ao mercado para não causar surpresas bruscas, mas a estratégia pode acabar comprometendo sua agilidade em cumprir sua missão de garantir a estabilidade do poder de compra da moeda.

Esse importante interlocutor do governo avalia que o controle de preços demandava uma alta agressiva nos juros, da mínima de 2% para algo já próximo dos dois dígitos. Segundo a fonte, a dose mais drástica sinalizaria compromisso do BC com o combate à inflação, ainda que provocasse alguma turbulência no curto prazo.

A atuação corrente da autoridade monetária, porém, é avaliada como uma estratégia de "avisar antes para não machucar ninguém".

A fonte reconhece que a alta menor dos juros contribuiu para aliviar a trajetória da dívida pública brasileira, que fechou 2021 em 80,3% do PIB (Produto Interno Bruto), após uma elevação considerável para bancar os programas de combate à pandemia. No entanto, a avaliação é que isso acabou sendo ruim para a inflação.

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