BRASÍLIA — O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou nesta quarta-feira a estratégia do governo de querer marcar uma data para a votação da reforma da Previdência sem ter a certeza dos votos. Maia disse que fechar questão "não é relevante", mas ressaltou que os partidos, em especial o PSDB, precisam dizer a realidade de suas bancadas, e reiterou que hoje o governo não tem os votos. O Palácio do Planalto quer que a votação ocorra na próxima semana.
— Não vou colocar para votar essa matéria para que, com uma expectativa de derrota, a gente tenha um resultado muito pior. Se tiver um sentimento de que a matéria vai ser derrotada, você vai ter 100 votos no plenário. A gente ir para a votação com clareza de derrota apenas para ter uma data, a gente vai estar gerando uma sinalização de que na Câmara não há uma responsabilidade fiscal majoritária e há.
O presidente da Câmara ainda criticou a divulgação de placares por aliados do governo, alegando que isso só aumenta a pressão sobre os deputados.
— Não acho relevante fechar ou não questão. O PSDB é um partido que sempre pregou as reformas, e o que a gente precisa saber quantos votos o PSDB pode dar para a reforma, como estou perguntando a cada partido. A gente está com dificuldade em todos os partidos. O que a gente precisa contar voto com reserva, sem gerar publicidade, porque isso não agrega nada, para que a gente tenha um mínimo de condições para organizar uma data para votar essa matéria — disse Maia.
Maia negou que no café da manhã desta quarta-feira com o presidente Michel Temer tenha se fechado os números.
— Acho que divulgar número não ajuda. Ficar falando número acho que não ajuda muito no processo de convencimento, fica parecendo uma pressão sobre os deputados. E isso não é bom porque essa é uma matéria difícil, fundamental, e a gente precisa de muito diálogo, muita paciência para que ela possa avançar na Câmara — disse ele.

