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Presidente do Santander reconhece dificuldade em renegociação de dívidas de empresas

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do Santander, Sérgio Rial, afirmou nesta segunda-feira (6) que são justas a críticas de empresários, feitas nas últimas semanas, sobre as dificuldades de prorrogar dívidas como medida de enfrentamento do coronavírus. Ele afirmou ainda que é natural o aumento do custo do crédito, outro motivo de reclamação. A Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) havia anunciado em 16 de março que as cinco maiores instituições financeiras do país estavam abertas para discutir a prorrogação, por 60 dias, dos vencimentos de dívidas de empresas. A Folha de S.Paulo mostrou, porém, que clientes que tentavam rolar dívidas recebiam propostas com aumento de juros e dificuldade de negociação. Os bancos negaram em carta à Folha que houvesse problema. "Até há bem pouco tempo, os bancos não estavam claros sobre como iriam operacionalizar [as linhas de crédito]. Existia muito desconforto e desinformação mesmo dentro dos bancos", afirmou Rial em uma live do jornal Valor Econômico. O executivo afirmou que um dos principais motivos para as reclamações recentes de dificuldade de acesso ao crédito e de juros mais altos nos empréstimos foi a grande ansiedade do pequeno varejo acerca da liberação das linhas emergenciais anunciadas pelo governo. "Não é mais um momento de ansiedade. Mas acho que é justa a crítica há duas semanas atrás ou sete dias atrás. Tem muita coisa acontecendo, mas o sistema financeiro pode responder. Tem tamanho, tem balanço e tem liquidez pra fazer com o que a gente espera, aconteça", afirmou. Ele afirmou ainda que o detalhamento da MP (Medida Provisória) para ajudar a financiar a folha de pagamento de empresas também ajudou a destravar o mercado e diminuir a insatisfação de clientes. Na sexta-feira (3), o Santander divulgou a prorrogação automática de parcelas, em até 60 dias, aos clientes que tiverem suas prestações vencidas e não pagas. A MP 944, que liberava R$ 40 bilhões em recursos para a linha de folha de pagamento, foi publicada pouco tempo depois, ainda na noite de sexta. Segundo Rial, apesar de o prazo para pagamento ser um ponto de extrema importância para dar fôlego às empresas no atual momento, a tendência é que o custo do dinheiro fique maior. "Teremos um aumento inquestionável no custo de crédito e um aumento de inadimplência que só será sentido a partir do terceiro trimestre. Isso obviamente tem implicações para o custo do dinheiro. É difícil quantificar, mas é uma recessão que teremos que lidar e que terá implicações no modelo de negócio como um todo no sistema financeiro", disse.

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