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Santander anuncia prorrogação automática para tirar cliente da inadimplência no coronavírus

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Santander anunciou nesta sexta-feira (3) que começará a oferecer uma prorrogação automática de parcelas em até 60 dias aos clientes que tiverem suas prestações vencidas e não pagas. A medida começa a valer na segunda (6), mas é retroativa a 16 de março e valerá para vencimentos até 15 de maio. A medida cobre a janela de renegociação anunciada pelos bancos para enfrentar os efeitos econômicos da crise do coronavírus. Segundo o diretor de produtos pessoa física do Santander, Gustavo Alejo, a primeira rolagem da dívida, por 30 dias, ocorre automaticamente 48h depois do vencimento da parcela. Caso o próximo vencimento chegue e o consumidor ainda não conseguiu pagar, o mesmo processo acontece e prorroga o débito por mais 30 dias. O valor e a quantidade das parcelas continuam os mesmos para o consumidor. A repactuação automática de dívidas abrange as modalidades de crédito pessoal, unificado e de renegociação, além do crédito direto ao consumidor (conhecido como CDC) feito na agência. Clientes elegíveis e com as parcelas em dia continuam a poder solicitar a prorrogação a qualquer momento. Pequenas e médias empresas que contrataram capital de giro, renegociação e crédito direto ao consumidor (ou CDC PJ) também terão a prorrogação. "Entendemos que é uma forma de dar fôlego financeiro. Sabemos que tem um ajuste de taxa e que estamos absorvendo um custo para conseguir fazer isso, mas julgamos que, na atual conjuntura, é a decisão certa", afirma Alejo. Esse custo absorvido pelo banco seria o custo dos juros no tempo. Na prática significa que mesmo que o banco desse carência de dois meses para o valor principal da dívida, ainda haveria cobrança de juros nesse período. Esse valor era dividido nas demais parcelas, o que elevaria a prestação. No caso do Santander, a alternativa para que o cliente não sentisse esse custo no valor de suas parcelas foi a de reduzir o custo da operação como um todo, baixando os juros na repactuação. "Se o cliente tem 12 parcelas que vencem em dezembro e pede duas prorrogações, ele continuará tendo as 12 parcelas de mesmo valor, mas com uma data de vencimento diferente. Ele recontrata o crédito a juros menores", afirma Alejo. A Folha de S.Paulo mostrou que clientes estavam pedindo a prorrogação de dívidas, nos moldes anunciados pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos), mas recebiam como contraoferta um novo crédito com taxas de juros mais altas. Os bancos negam. Para o Santander, um dos bônus da prorrogação automática da dívida seria a diminuição dos gastos com calotes. Toda vez que um cliente atrasa um pagamento mais de 90 dias ou solicita a renegociação de uma dívida, maior é o risco de inadimplência desse consumidor e maior é a reserva de recursos que o banco precisa ter para cobrir esse risco (as chamadas provisões). Nesse caso, o Banco Central já havia dispensado as instituições financeiras de fazerem provisão para a renegociação de dívidas de empresas e consumidores pelos próximos seis meses -o que significa que o banco já não teria esse custo com as provisões. Segundo Alejo, a inadimplência só seria sentida depois dos 60 dias. "A inadimplência realmente terá um fôlego, mas a gente precisa avaliar o que vai acontecer no país e como a evolução desse cenário vai acontecer. De repente, será necessário avaliar novas prorrogações mais pra frente. Estamos fazendo isso para que existam opções para os clientes", disse. O Santander também anunciou que financiará as folhas de pagamentos de clientes por até dois meses, com carência de seis meses e juros de 3,75% ao ano e que as faturas com vencimento a partir de 15 de abril poderão ser divididas em até 24 vezes, com desconto de 50% na taxa e até 60 dias de carência pelos aplicativos Way, Santander ou internet banking. A Santander Financiamentos também vai permitir a prorrogação de dívidas para compra de veículos pelo seu aplicativo ou no site a partir de 15 de abril.

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