Volgogrado Expectativas diversas cercam a estreia na Inglaterra na Copa, nesta segunda-feira, às 15h, contra a Tunísia, pelo Grupo G, o mesmo de Bélgica e Panamá. Além do peso da camisa — que, com jogadores como Harry Kane, Dele Alli e Jamie Vardy, tenta não ser a tradicional coadjuvante de sempre —, por um motivo preocupante: de olho nos hooligans, os violentos torcedores ingleses, a cidade de Volgogrado proibiu a venda de bebidas alcoólicas no dia do confronto.
Briga na Copa da França
Ingleses e tunisianos têm um histórico lamentável. Em 1998, torcedores dos dos países se enfrentaram em Marselha, na França, quando as seleções treinavam para se enfrentar — coincidentemente, também pelo grupo G, o jogo terminou com a vitória inglesa por 2 a 0. Resultado: foram presos 50 torcedores: 30 ingleses, 14 franceses e seis tunisianos, com 35 pessoas hospitalizadas.
Para o jornalista inglês Tim Vickery, que vive no Brasil, o confronto pode ser explicado pela intolerância dos hooligans.
— Naquela época, especialmente, a torcida inglesa tinha muitos elementos de extrema-direita. Os tunisianos, a maioria deles locais, eram franceses de origem árabe, muçulmanos. Em meio às cenas de guerra, os ingleses queimavam bandeiras da Tunísia.
O lateral-esquerdo inglês Danny Rose admitiu que pediu para a família não ir à Rússia, com medo do preconceito. Remanescente da Copa de 1998, quando defendia a Inglaterra como jogador, o técnico Gareth Southgate revelou, em entrevista coletiva, que o ideal seria deixar o campo em qualquer ato desse tipo.
— Acredito que a situação política tenha se acalmado diz Vickery. — Mas não sei se isso se refletirá nas ruas. De qualquer forma, é perceptível que a seleção inglesa representa nossa classe operária, que é multiracial. O time tem Harry Kane e Dele Alli. Quer exemplo maior do que isso?

