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Com criatividade, Flu trava batalha contra a crise financeira

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O orçamento aprovado no início do ano pelo Fluminense deu o tom da crise. O documento apontou um prejuízo de R$ 75 milhões só no exercício de 2017. Este número, contudo, será menor. Só com a venda de Richarlison para o Watford, da Inglaterra, entraram mais R$ 23 milhões (referentes aos 50% dos direitos econômicos do atacante a que o clube tinha direito) não previstos. O trabalho de redução da dívida não para por aí. Ao mesmo tempo que o time luta contra o rebaixamento, medidas são traçadas internamente em busca de uma saída. Afinal, escapar da Série B é pouco para o tricolor se sentir aliviado.

Como numa empresa privada, aumentar receitas e reduzir despesas viraram mantra. Dentro deste cenário, atrair um patrocinador master se tornou um campeonato à parte. Esta semana, o clube anunciou acordo com a Universal Orlando Resorts até 15 de novembro. Paralelamente, mantém negociação com uma marca para 2018. O nome é mantido em sigilo.

O tricolor tem se desdobrado em ideias para atrair parceiros. À rede de supermercados Prezunic, ofereceu não só a possibilidade de estampar o nome como também a de a empresa escolher, a cada partida, a marca de um fornecedor para acompanhá-la. Com outro interessado, estuda a implantação de uma tela de led para alternar o que é exibido na camisa do time.

- Já visitei todas as empresas que você possa imaginar. Todas - conta Marcus Vinicius Freire, ex-diretor executivo do COB que, desde agosto, atua como CEO do Fluminense.

Nem todas as parcerias buscadas pelo Fluminense envolvem patrocínio. As negociações com os medalhistas olímpicos Gustavo Borges, Flávio Canto e Robson Caetano são alguns exemplos. O tricolor quer que os dois primeiros associem seus projetos, respectivamente, às escolinhas de natação e de judô da sede.

Com o terceiro, quer implantar um projeto de atividade física para idosos. O objetivo é dar um banho de grife nas atividades do clube. Com isso, aumentar o número de adesões e, consequentemente, a arrecadação com o social, hoje abaixo da expectativa.

- Nossa mensalidade é a mais barata do Rio. Mas mexer nisso envolve mudar toda a cultura do clube - afirma Freire.

Entre outros projetos, o Fluminense trabalha para colocar no ar o quanto antes sua própria loja virtual. E negocia parceria com uma incubadora de tecnologia do Rio. O objetivo é que jovens estudantes desenvolvam, para o departamento de futebol tricolor, um sistema que cruze os dados estatísticos que o clube possui não só do seu elenco como de outros equipes. Assim, consegue fazer economia e, ao mesmo tempo, atender a uma demanda de Abel Braga:

- Se o Abel quiser comprar um lateral-esquerdo que tenha jogado mais de 30 minutos na Série B, feito gols de cabeça e chute com a perna esquerda, nós temos todos estes dados. Mas eles não são cruzados - explica.

A economia, aliás, é a medida mais sentida pela torcida. Afinal, ela foi mais implacável no futebol. A diretoria reduziu drasticamente as contratações, renegociou contratos e emprestou atletas. Com isso, reduziu a folha salarial em cerca de R$ 2 milhões por mês. E é melhor a torcida não criar expectativa. Em 2018, o cenário não será muito diferente.

- Um ano de economia, mas sem aumentar a receita, não é suficiente. É preciso que despesa e receita caibam uma dentro da outra. Nossa matemática é fazer tudo caber dentro do orçamento - completa o executivo.

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