RIO, 27 (AG) - Ao fim da tarde deste domingo, no México, o inglês Lewis Hamilton tem tudo para estar no pódio comemorando seu quarto título na Fórmula-1. Afinal, ele precisa apenas de um quinto lugar, independentemente da posição de Sebastian Vettel. Mas o tetracampeonato é muito mais do que um troféu. Será, na opinião de especialistas, o passo definitivo para Hamilton entrar na lista dos maiores de todos os tempos. O Sportv 2 transmite a partir das 16h.
Nesta temporada, ele deu provas de que merece o status. Em um só ano, bateu dois recordes de outros dois grandes campeões da categoria. Primeiro, superou o número de pole positions de Ayrton Senna, 65, no GP do Azerbaijão, em junho, e se emocionou ao passar o seu maior ídolo no esporte. Três meses depois, deixou o alemão Michael Shcumacher para trás ao largar na frente pela 69ª vez, no GP da Itália. Ainda está atrás do heptacampeão em vitórias, pódios e hat tricks (vitória, pole e volta mais rápida numa mesma corrida). E títulos, é claro.
— Não é somente o tetra. Vettel também é, mas, sinceramente, Hamilton, por tudo que vem fazendo, tem um lugar de destaque em relação ao grandes pilotos da F-1 — argumenta o ex-piloto e comentarista de Fórmula-1 da Rede Globo, Luciano Burti. — Muitos até conquistaram menos títulos. Não basta ser campeão, ter vários títulos para ser um notável.
A velocidade e o arrojo são marcas do piloto desde o início. Em 2017, foi a maturidade que deu as caras, confirmando o inglês no meio de gente grande, como Schumacher, Senna, Jim Clark, Fernando Alonso, Alain Prost e Nelson Piquet.
— Pelo talento, Hamilton sempre esteve entre os melhores. Mas talento só ganha corridas, não títulos e um nome na história — diz o comentarista da Rede Globo, Reginaldo Leme. — Agora, ele tem amadurecimento, discernimento de corrida. Ele se completou.
Ao contrário do impulsivo Hamilton do início da carreira e das brigas com Alonso, à época da McLaren (até o espanhol já declarou que o inglês é melhor que Vettel), o piloto da Mercedes deste ano provou que está com a cabeça no lugar. Na Hungria, por exemplo, devolveu a posição ao companheiro Valtteri Bottas após tê-lo ultrapassado na tentativa de caça às Ferrari. Como não conseguiu, deixou o finlandês ultrapassá-lo e recuperar o terceiro lugar. No início do mês, na Malásia, soube controlar a vontade de vencer a qualquer custo e não dificultou a ultrapassagem de Max Verstappen, da RBR.
— Hoje em dia, ele é capaz de fazer isso, pois sabia que ia gastar o carro tentando segurar o Verstappen. Ele consegue pensar na corrida e no campeonato — acrescenta Reginaldo Leme, recordando de dois grandes pilotos. —Em termos de talento, Senna foi o maior de todos, mas, no início, perdeu umas sete corridas por não saber administrar o carro. Algo em que Piquet era o melhor. Ele enxergava o início, o meio e o fim da corrida.
Burti faz coro a Reginaldo Leme:
— Em outras situações na carreira, ele mostrou falta de equilíbrio emocional, instabilidade, que o fizeram perder corridas. Realmente, ver a Ferrari na frente nas primeiras provas da temporada poderia ter feito Hamilton se desestabilizar durante o ano. Mas isso não aconteceu. Chegou em segundo quando tinha que chegar, deixou ser ultrapassado e, quando teve o carro nas mãos, venceu. Por isso, ele beirou a perfeição.
Motivos suficientes para que ele esteja na lista dos cinco maiores pilotos da categoria, na opinião dos comentaristas. Selecionar tal número é difícil, mas Hamilton fez por merecer o lugar.
— Tecnicamente, meus grandes ídolos são Senna, Schumacher, Alonso, Piquet, Hamilton, Prost e Jim Clark. Tiro os dois últimos com muitas ressalvas. Não vi Jim Clark correr, mas tem uma importância tremenda no esporte. Ele refinou a F-1, e Senna é claramente um produto do Jim Clark. E o ´Prost podia não ter as qualidades técnicas dos outros, mas tinha outras que foram fundamentais — analisa Leme.
Na conquista do primeiro título, Hamilton brigou com Felipe Massa, então na Ferrari, até a última curva. No segundo e terceiro troféus, teve o companheiro de equipe Nico Rosberg como rival. Em 2015, inclusive, foi campeão antecipadamente. Caminho que pode ser considerado mais simples se comparado com outros campeões. O colunista do Globo Celso Itiberê lembra que, dos grandes campeões, Prost teve a vida mais dura:
— Na perspectiva histórica, seria até possível admitir que Prost tenha tido mais dificuldades. Afinal de contas, teve como adversários quatro grandes: Lauda, Piquet, Senna (tricampeões) e Mansell. Nós sabemos que é preciso, sempre, levar em conta o equipamento, as mudanças de regulamento, mas acho que a guerra do francês foi muito mais renhida para chegar ao tetra.
Aos 32 anos, Hamilton ainda tem um longo tempo de carreira pela frente. Mais recordes devem ser batidos.
— Se ele continuar nesse ritmo, pode alcançar o recorde de vitórias de Schumacher (91 a 72), algo até então impensável — aposta Reginaldo Leme. — O de títulos, não acredito.

