Depender de outros resultados para garantir vaga nas semifinais da Taça Guanabara é a menor das preocupações do Fluminense, que neste sábado encara o Macaé, às 19h, em Los Larios. A equipe de Abel Braga, que ainda tenta se recuperar do desmanche sofrido no fim do ano, agora também precisa driblar a crise política que tomou conta das Laranjeiras. O diretor de futebol Paulo Autuori garante que não deixará isso ocorrer.
— Não vai respingar em nada. Primeiro porque temos um treinador do nível do Abel, totalmente identificado com o clube. Estamos trabalhando juntos. E, desculpa, mas são três Libertadores e dois Mundiais. Não é qualquer coisa política que pode interferir — brincou.
Com o pagamento da dívida com os jogadores, o sentimento no futebol é de alívio e de que 2018, enfim, começou. Mas as cenas da invasão dos torcedores à sede, na última terça, deixaram o diretor de futebol preocupado.
— Abel e eu temos o papel de guardiães do futebol. E nada nem ninguém vai interferir negativamente nas convicções e seguranças que nós temos em relação ao caminho que devemos percorrer ao longo de todo ano.
Por trás da crise tricolor, há uma briga interna entre os grupos que apoiam o presidente Pedro Abad e seu vice Cacá Cardoso. Satisfeito com o pagamento da dívida com os jogadores dentro do prazo prometido (na última quarta-feira), Autuori fez questão de elogiar o mandatário:
— Quero que ele saiba que o departamento de futebol vai fazer o máximo para que, ao final do mandato, todos possam ter orgulho do que ele e sua equipe de trabalho desenvolveram — disse.
A classificação para as semifinais não é uma meta fácil. É preciso vencer o Macaé e torcer por um empate entre Portuguesa e Boavista ou uma derrota do Botafogo. Na segunda opção, ainda seria necessário superar o adversário no saldo de gol (hoje favorável aos alvinegros). As adversidades não desmotivam os jogadores.
— Vai ser um jogo muito difícil, como todos estão sendo. Vamos fazer nossa parte, jogar para ganhar. E esperar os resultados. Eu acredito, sim, na nossa classificação — disse o zagueiro Renato Chaves.
Embora o time ainda esteja em formação, uma eliminação precoce na Taça Guanabara pode inflamar ainda mais o ambiente. Se o futebol quer se isolar do que ocorre nas Laranjeiras, a política nunca dependeu tanto dos resultados em campo.

